
Os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura estudam um decreto para regulamentar o plantio de milho transgênico no entorno das Unidades de Conservação (UCs) brasileiras, entre elas o Parque Nacional do Iguaçu. Atualmente, só está liberado nas unidades o plantio da soja e do algodão transgênicos. O cultivo foi permitido com base no decreto 5.950 de 31 de outubro de 2006. Para a soja, deve ser respeitada a distância de 500 metros do entorno das reservas. No caso do algodão, a faixa é de 800 metros.
O governo começou a analisar a possibilidade de liberar o plantio do milho transgênico nas zonas de amortizações após reivindicações dos agricultores. O Conselho Consultivo do Parque Nacional do Iguaçu órgão que reúne 32 instituições públicas e privadas debateu o assunto no ano passado. Após inúmeras reuniões, os conselheiros chegaram a um consenso e sugeriram que o plantio fosse autorizado a uma distância de 1,2 mil metros da UC hoje, o cultivo só está liberado a uma distância mínima de 10 quilômetros da reserva, a chamada zona de amortização. A proposta foi enviada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração do Parque Nacional, e hoje está sob análise dos ministérios. "O limite de 1,2 mil metros é uma sugestão do conselho", diz o chefe do parque, Jorge Pegoraro.
O presidente do Sindicato Rural de São Miguel do Iguaçu, José Carlos Colombari, afirma que os agricultores sentem-se prejudicados com a limitação, porque o milho convencional não apresenta resistência às pragas e as variedades não são tão produtivas. Se for levada em conta a zona de amortização que abrange os 14 municípios atingidos, o total proibido para plantio supera a área do parque. "É um absurdo. O parque tem uma área total de 185 mil hectares com uma área de amortização de 220 mil", diz.
O temor dos ambientalistas quanto aos transgênicos deve-se à capacidade de dispersão dos pólens do milho a uma distância de até 400 metros, quando levados pelo vento, com a possível contaminação de lavouras convencionais. Em relação ao Parque Nacional, há risco de populações de lagartas morrerem ao consumirem o grão, diz o engenheiro agrônomo da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) Jorge Gheller. O agrônomo, entretanto, posiciona-se a favor do plantio dos transgênicos, porque eles não exigem a aplicação de grande quantidade de veneno para combater certas pragas.







