Cascavel O contador Darlei Natal Gabana, 56 anos, que matou o sócio Walter Antônio Pértile, 48 anos, em Cascavel, ainda não havia se apresentado à polícia até ontem à noite. Gabana matou o sócio dentro da empresa, um dos mais tradicionais escritórios contábeis da cidade, depois de uma discussão no início da tarde da última sexta-feira. A polícia ainda não sabe os motivos do crime.
Gabana fugiu logo após o crime e já tem a prisão preventiva decretada pela juíza da 2.ª Vara Criminal de Cascavel, Sandra Bittencourt. Ontem, a expectativa era de que Gabana se apresentasse à polícia acompanhado de um advogado. O advogado Adelino Marcon disse que chegou a ser contatado por amigos e familiares de Gabana, mas explicou que tudo dependeria de uma reunião que aconteceria ontem à noite.
O escrivão Reinaldo Bernardin de Andrade, da 15.ª Subdivisão Policial de Cascavel, já havia registrado o depoimento de sete funcionários do escritório. Conforme os depoimentos, tanto Gabana quanto Pértile tinham armas, eram considerados homens de personalidade forte e tinham o costume de falar alto. Os funcionários alegaram não saber os motivos da discussão entre os dois, mas pelo menos um funcionário disse que ambos já haviam tido desentendimentos anteriores, porém, sem agressões físicas.
O escritório, que conta ainda com outros três sócios, tem 42 anos de funcionamento e voltou a atender o público ontem. Jeremias Rocha dos Santos, Laudino Favarin e Selvino Antônio Dupont, os outros sócios, deram expediente ontem, mas evitaram falar do caso. A empresa tem 42 funcionários e cerca de 400 clientes.
Procurado pela reportagem, Santos limitou-se apenas a dizer que até onde se sabia na empresa, Pértile e Gabana não tinham nenhuma desavença por motivos comerciais. Como quase todos os sócios atuais da empresa, Pértile e Gabana começaram a trabalhar no escritório como office boy antes de entrarem para a sociedade. Pértile estava no escritório havia 34 anos, 15 como sócio. "Os dois tinham uma sociedade muito antiga e o que aconteceu foi algo terrível. Eu não entendo", afirma Santos.
Outro chocado com o acontecido é o advogado Ronaldo da Fonseca, contratado pela família de Pértile. "Não dá para entender o que leva uma pessoa a fazer isso." Ele diz que, conforme um funcionário, após ter atirado, Gabana ainda teria desferido coronhadas na cabeça da vítima.
O crime chocou Cascavel e região, onde os dois envolvidos eram bastante conhecidos. Pértile era o terceiro colocado do ranking brasileiro de Tiro Prático, modalidade esportiva que praticava há 20 anos. Ele foi campeão brasileiro em 2005 e chegou a ser também campeão sul-americano. Gabana também atuava no ramo agropecuário era proprietário de uma fazenda em Boa Vista da Aparecida, a 100 quilômetros de Cascavel.







