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Para entender

Por que a desconfiança nas urnas eletrônicas cresceu no Brasil?

Urnas eletrônicas usadas nas eleições são vistas com desconfiança por quase metade da população. (Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo/Arquivo.)

Pesquisas recentes revelam que a desconfiança dos brasileiros nas urnas eletrônicas saltou de 22% para 43% em quatro anos. O aumento ocorre após um período de forte cerco judicial e censura a críticos do sistema eleitoral, fenômeno conhecido na comunicação como efeito Streisand.

O que os dados mais recentes dizem sobre a confiança no sistema?

Um levantamento do instituto Genial/Quaest, realizado em fevereiro de 2026, mostra que 43% da população discordam da afirmação de que as urnas são confiáveis. Isso representa quase o dobro do registrado em maio de 2022, quando o índice de desconfiança era de apenas 22%. Os dados sugerem que, quanto mais o Judiciário tentou proteger a imagem do sistema, mais o sentimento de dúvida cresceu entre os eleitores.

O que explica essa mudança na percepção popular?

Especialistas apontam para o 'efeito Streisand': quando se tenta esconder ou proibir um assunto, ele acaba atraindo mais curiosidade e suspeita. No Brasil, o cerco do Judiciário a parlamentares, influenciadores e cidadãos que questionavam as urnas gerou um efeito reverso. Para muitos eleitores, a proibição do debate soa como um sinal de que algo está sendo escondido, mesmo que não haja evidências de fraude.

Quais foram as principais medidas judiciais adotadas?

Nos últimos anos, o Judiciário brasileiro estabeleceu que suspeitas sobre o sistema eleitoral poderiam ser tratadas como crimes contra a democracia. Houve cassação de mandatos, condenações à prisão e um ex-presidente tornou-se inelegível por levantar dúvidas em reuniões públicas. Embora essas medidas tenham silenciado vozes nas redes sociais, elas não convenceram a base da população sobre a transparência do processo.

Como a credibilidade do STF afeta esse cenário?

A desconfiança no sistema eleitoral está diretamente ligada à imagem do Supremo Tribunal Federal. Analistas explicam que, como a credibilidade da Corte tem sofrido desgaste, as restrições impostas por ela geram reflexos negativos. Quando uma instituição na qual as pessoas já não confiam plenamente proíbe discussões, a tendência natural é que o público fique ainda mais cético em relação às decisões tomadas por ela.

Qual é a solução proposta por críticos para recuperar a confiança?

Vozes críticas e técnicos sugerem que a transparência deve ser levada ao limite técnico possível para eliminar dúvidas. A principal proposta citada é o voto impresso como backup do digital, mecanismo comum em outros países que usam votação eletrônica. A ideia é garantir o 'accountability', ou seja, a prestação de contas plena, onde o poder público não apenas afirma que o sistema é seguro, mas permite que qualquer cidadão possa auditar fisicamente o resultado.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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