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Para entender

Por que a nota da esposa de Moraes reforça suspeitas sobre o Banco Master?

Escritório Barci Moraes recebeu R$ 3,6 milhões mensalmente por cerca de 4,27 reuniões e 1,63 parecer por mês. (Foto: Antonio Augusto/STF)

O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, divulgou detalhes de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Os dados revelam pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por serviços que especialistas consideram desproporcionais ao porte da banca.

Qual é a principal polêmica envolvendo o contrato do escritório Barci de Moraes?

O ponto central é o valor astronômico de R$ 129 milhões pagos pelo Banco Master para serviços de consultoria jurídica e compliance. Especialistas questionam como um escritório de pequeno porte, que conta com advogados juniores e familiares do ministro Alexandre de Moraes, recebeu cifras tão elevadas, equivalentes a cerca de R$ 3,6 milhões por mês, independentemente de vitórias judiciais.

O que o escritório alega ter entregue em troca desses valores?

Em nota oficial, o escritório afirma ter realizado 94 reuniões de trabalho e produzido 36 pareceres jurídicos ao longo de 22 meses. Além disso, informou ter elaborado 22 manuais internos e o novo Código de Ética da instituição financeira. Na prática, isso significa uma média de quatro reuniões e pouco mais de um parecer por mês, o que juristas consideram insuficiente para justificar o montante pago.

Como especialistas avaliam a estrutura do escritório para o serviço prestado?

Juristas explicam que grandes empresas costumam contratar bancas gigantescas, com dezenas de profissionais, para serviços complexos. O escritório Barci de Moraes atuou com 15 advogados e subcontratou outras três firmas. Especialistas apontam que esse modelo de subcontratação é incomum no setor consultivo e que o valor cobrado por reuniões e pareceres está muito acima do praticado até por ex-ministros do STF.

Existem contradições entre o código de ética criado e a realidade do banco?

Sim. Embora o escritório tenha elaborado regras que proíbem vantagens indevidas a agentes públicos, a Polícia Federal investigou o presidente do banco, Daniel Vorcaro, por financiar um evento de R$ 3 milhões em Londres. O encontro contou com a presença de autoridades do alto escalão, incluindo o próprio Alexandre de Moraes, e envolveu o suposto oferecimento de garrafas caras de uísque, o que fere as normas de compliance criadas pela banca.

O escritório de Viviane Barci atuou em processos dentro do STF?

Na nota de esclarecimento, a banca de advogados negou categoricamente ter conduzido qualquer causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal. O foco do trabalho, segundo a defesa, foi em consultoria estratégica, compliance e atuação em áreas penais e administrativas fora da suprema corte.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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