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Para entender

Por que pais do Paraná desistiram do ensino domiciliar após multa milionária?

Um casal do Paraná manteve ensino domiciliar dos filhos durante dois anos, mas precisou matricular as crianças no ensino regular após multa milionária. (Foto: Arquivo pessoal)

Um casal de Araucária (PR) precisou matricular seus dois filhos no ensino regular após a multa por praticar o homeschooling atingir R$ 1,4 milhão. A decisão judicial exigia a matrícula imediata sob pena de R$ 2 mil diários, resultando no bloqueio de bens e contas bancárias da família.

O que motivou a Justiça a aplicar uma multa tão alta?

A multa foi estabelecida em 2023 pela 2ª Promotoria de Justiça de Araucária. A sentença determinava que os pais matriculassem os filhos, de quatro e sete anos, em uma escola regular. Como o casal decidiu manter a educação em casa por mais dois anos, o valor acumulado saltou de R$ 186 mil, em setembro de 2023, para quase R$ 1,4 milhão no início de 2025.

Como funcionava a rotina de estudos das crianças em casa?

A mãe, que é formada em Matemática e ex-professora, planejava o conteúdo e registrava as atividades. Além das disciplinas básicas como português e ciências, as crianças tinham aulas de inglês, música e culinária. Elas também recebiam acompanhamento semanal de uma neuropsicopedagoga e utilizavam materiais de uma instituição cristã especializada nessa modalidade de ensino.

Por que a família decidiu retirar os filhos da escola inicialmente?

A decisão ocorreu após a pandemia de Covid-19, quando a filha mais velha apresentou dificuldades de aprendizado no retorno ao ambiente escolar. De acordo com a mãe, no ensino domiciliar as distrações eram menores e o desenvolvimento da criança foi significativamente mais rápido em comparação ao ensino tradicional.

Qual é a situação legal do ensino domiciliar no Brasil hoje?

Em 2018, o STF decidiu que o ensino domiciliar não é proibido pela Constituição, mas também não é um direito automático. Para ser praticado legalmente, ele precisa de uma lei federal que crie regras de avaliação e controle. Sem essa regulamentação, as famílias ficam vulneráveis a processos por abandono intelectual e multas pesadas por descumprimento de prazos de matrícula.

Existe algum projeto de lei para resolver esse impasse?

Sim, o principal é o PL 1.338/2022, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2022. O projeto está atualmente no Senado Federal, onde aguarda votação. Em 2025, o texto recebeu parecer favorável na Comissão de Educação, mas a falta de uma definição legislativa nacional continua sendo o maior obstáculo para as famílias que optam por essa modalidade.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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