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Crime bárbaro

Preso no PR acusado de duplo homicídio

Suspeito de matar a filha e a ex-namorada em São Paulo é pego em Ponta Grossa, enquanto tentava fugir para Florianópolis

Pamela, em seu vestido de dama de honra: vítima junto com a mãe | Arquivo pessoal
Pamela, em seu vestido de dama de honra: vítima junto com a mãe (Foto: Arquivo pessoal)

Ponta Grossa - Um homem acusado de matar a ex-namorada e a filha de 7 anos, além de balear a enteada, foi preso ontem em Ponta Grossa. A tragédia aconteceu na madrugada de domingo, em Alto Alegre, no oeste de São Paulo. A história atravessou a divisa e chegou ao Paraná na madrugada de ontem. Durante a fuga, o suspeito foi pego depois de preencher o bilhete de embarque na rodoviária em São Paulo. Pelas informações da passagem, policiais descobriram que o suspeito estava seguindo rumo a Florianópolis e o interceptaram.

A polícia acredita que o suspeito teria cometido os crimes por estar indignado com um pedido de prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia e por estar desesperado com a possibilidade de perder o carro.

O auxiliar de ortopedia Dirso Belarmino da Silva, de 33 anos, teve um relacionamento rápido com a comerciante Eunice Berto Toldato, 37 anos. Tiveram uma filha, Pamela Flaviane. Ele reconheceu a paternidade, mas se negava a pagar a pensão alimentícia. A dívida acumulada de mais de um ano já passava de R$ 8 mil. Eunice foi à Justiça, que determinou a prisão dele e a penhora de bens. Sem dinheiro para pagar os atrasados, Silva poderia perder sua paixão: um Santana azul escuro, com rodas e som esportivos, cujos acessórios valiam mais do que o carro.

Por volta das duas horas da madrugada de domingo, Silva foi à casa da ex-namorada. Eunice tinha chegado há pouco de uma festa de casamento, acompanhada das filhas. Pamela foi a daminha de honra e perguntava a todos se estava bonita. "Estou parecendo uma princesa. Tira uma foto pra mostrar pro meu pai?", teria pedido horas antes. Eunice levou um tiro no rosto e outro no peito. Pamela foi alvejada no peito. Todos os disparos foram à queima-roupa e ambas teriam morrido na hora. Carla, de 12 anos, filha de Eunice com outro homem, foi baleada no ombro e no braço.

Os vizinhos relataram à polícia que ouviram os tiros, mas ninguém chamou socorro ou foi ver o que tinha acontecido. Somente dez horas depois dos disparos é que familiares encontraram os corpos. Eunice havia combinado de almoçar com parentes, mas não apareceu. Foi então que acharam Carla ferida, sangrando muito. Ela tinha pedido ajuda, mas não foi ouvida.

No domingo, Silva foi trabalhar normalmente na Santa Casa de Penápolis, onde era responsável por colocar gesso em fraturados. Mas o local estava agitado. Carla acabara de ser internada, em estado grave. Não se falava em outro assunto além da tragédia em Alto Alegre, a 12 quilômetros dali. Quando percebeu a movimentação, deu conta de fugir. Foi visto na rodoviária de Marília. Pela Norma 04/98 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), todos os passageiros em viagem entre estados são obrigados a preencher uma ficha com dados pessoais. Ao procurar nos guichês das empresas, policiais descobriram em qual ônibus Silva havia embarcado. Pediram ajuda à polícia paranaense, que o prendeu. Ele não reagiu à prisão nem falou nada sobre os crimes.

Considerado calmo por colegas e até por parentes das vítimas, a atitude de Silva teria surpreendido a todos. Ele não tinha ficha criminal e Eunice não havia feito nenhuma denúncia por ameaça. Carla foi transferida para um hospital em Lins (SP). O caso é considerado grave, mas sem risco de morte. Segundo o delegado Mauro Gabriel, de Alto Alegre, Silva não foi preso pelos homicídios, mas sim pela falta de pagamento de pensão alimentícia. Uma equipe de policiais saiu de Alto Alegre para buscar o auxiliar de ortopedia em Ponta Grossa.

O duplo assassinato, considerado pelo delegado como o mais bárbaro já visto em Alto Alegre, inaugurou a estatística de homicídios do ano na cidade de 4 mil moradores. Os corpos de Eunice e Pamela foram enterrados na manhã de ontem. A filha de Silva foi sepultada trajando a roupa de daminha de honra que usava na véspera da morte.

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