
Um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) mostrou de que forma os transtornos mentais podem estar ligados a pressões impostas no ambiente de trabalho. Essa é a terceira razão de afastamento de trabalhadores pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2011, mais de 211 mil pessoas foram afastadas em razão de transtornos mentais naquele ano. As informações são da Agência Brasil.
O coordenador da pesquisa, o médico do trabalho João Silvestre da Silva-Júnior, listou quatro razões principais que prejudicam a saúde mental no ambiente corporativo.
A primeira é a alta demanda de trabalho. "As pessoas têm baixo controle sobre o seu ritmo de trabalho; elas são solicitadas a várias e complexas tarefas", disse o pesquisador. O outro aspecto são os relacionamentos interpessoais ruins, tanto verticais (com os chefes), quanto horizontais (entre os próprios colegas). A terceira razão é o desequilíbrio entre esforço e recompensa. O último aspecto citado pelo pesquisador é a dedicação excessiva ao trabalho, que também pode afetar a saúde mental.
A pesquisa coletou dados na unidade de maior volume de atendimentos do INSS da capital paulista, a Glicério. Foram ouvidas 160 pessoas com algum tipo de transtorno mental.
PerfilAfastados são, em sua maioria, mulheres com alta escolaridade
A pesquisa apontou que o perfil predominante entre os afastamentos foi o feminino e com alta escolaridade (mais de 11 anos de estudo). Mas o coordenador do estudo alerta para uma distorção, porque as mulheres têm maior cuidado com a saúde, o que aumenta a presença feminina nas estatísticas. "O sexo feminino apresentar uma maior possibilidade de transtorno mental está relacionado às mulheres terem facilidade em relatar queixas. Reconhece-se que as mulheres procuram os médicos com mais facilidade, elas têm uma maior preocupação com a saúde do que os homens", disse Silvestre. O fator escolaridade, segundo o estudo, pode afetar a percepção da existência das doenças. A maioria dos afastamentos ocorre com indivíduos de alta escolaridade, pois eles são mais esclarecidos. "As pessoas conseguem ter uma maior percepção de que o ambiente de trabalho está sendo opressor."







