O promotor Marcio Friggi está usando o tempo da réplica para rebater os argumentos da advogada de defesa Ieda Ribeiro de Souza. Ele fala desde as 17h.
O promotor desqualificou o oficial responsável pela reserva de armas, Sidnei Serafim dos Anjos, dizendo que ele foi repreendido certa vez por estar com forte cheiro de álcool. "Esse é o responsável pelas armas do Batalhão, aquelas que seriam enviadas à perícia."
Friggi também mostrou aos jurados argumentos de diversos advogados sobre a não individualização da conduta, inclusive uma decisão do STJ sobre acusações coletivas. O promotor ainda fez um paralelo com o julgamento do Mensalão, no qual uma pessoa tem o controle do fato e os outros são responsabilizados coletivamente: no caso do Mensalão, José Dirceu teria o controle do fato; nas mortes no segundo pavimento do Carandiru, o capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos.
O promotor resumiu a argumentação da defesa com uma frase de Nelson Rodrigues: "Se os fatos estão contra mim, danem-se os fatos." Segundo ele, a advogada Ieda Ribeiro de Souza estava tratando os jurados como crianças de cinco anos.
Sobre o fato de a defesa ter dito que a acusação só se utiliza da versão dos detentos, nunca dos PMs, Friggi rebateu: "A versão que é compatível com a perícia é a que tem credibilidade."
Na manhã deste sábado, dia 20, tiveram início os debates, quando acusação e defesa têm três horas cada um para expor os seus argumentos sobre o processo. A acusação tem o direito de pedir a réplica e, após, a defesa pode recorrer à tréplica. Apenas depois é que o Conselho de Sentença vai se reunir para definir o destino dos 26 réus acusados pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do Pavilhão 9 do Carandiru, em outubro de 1992.
Advogada de defesa em júri do Carandiru pede tréplica
Após duas horas, o promotor Marcio Friggi encerrou o réplica no julgamento do massacre do Carandiru. A advogada de defesa Ieda Ribeiro de Souza pediu a tréplica, que pode durar até duas horas. Apenas depois o Conselho de Sentença se reunirá para decidir o destino dos 26 réus acusados pela morte de 15 pessoas no segundo pavimento do Pavilhão 9 do Carandiru, em 1992.
Friggi usou os últimos dez minutos da sua exposição para exibir o trecho do filme Carandiru no qual a Polícia Militar invade o presídio no dia do massacre.
O promotor também tentou mostrar que os policiais militares usaram da força bruta não apenas no Carandiru, mas também em outras ocasiões. "Eu vou mostrar um a um as pessoas que vocês vão julgar", disse ele, dirigindo-se aos jurados. Friggi então citou o nome dos réus e o número de mortes que cada um tinha no currículo - a maioria dos casos foi arquivada ou resultou na absolvição do policial. Paulo Estevão de Melo, "o recordista", apresentava 23 mortes. Apenas três dos réus não tinham mortes registradas na carreira.
- Tese da promotoria é que armas supostamente usadas por presos foram "plantadas"
- Defesa se refere a policiais do Carandiru como "heróis"
- Acusação encerra argumentação no júri do Carandiru
- Promotoria pede absolvição de três PMs envolvidos no Massacre do Carandiru
- Defesa e acusação debatem neste sábado no júri do Carandiru



