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Transporte

Protesto contra aumento do ônibus vira depredação em SP

Liderado pelo Movimento Passe Livre (MPL), o protesto começou às 18h30 na frente da prefeitura, no Viaduto do Chá

Manifestantes fecharam vias de São Paulo durante o protesto contra o aumento das tarifas de ônibus na cidade | Folhapress/Nelson Antoine
Manifestantes fecharam vias de São Paulo durante o protesto contra o aumento das tarifas de ônibus na cidade (Foto: Folhapress/Nelson Antoine)

Um protesto contra o aumento das passagens de ônibus, trem e metrô levou caos à região central de São Paulo em horário de pico. Manifestantes fecharam as Avenidas Paulista, 23 de Maio, 9 de Julho e São Luís. O bloqueio foi feito com pedras e papelões (cortados como catracas de ônibus), além de sacos de lixo em chamas. A polícia reagiu e houve confronto com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Pelo menos um manifestante havia sido preso até 21 horas.

Liderado pelo Movimento Passe Livre (MPL), o protesto começou às 18h30 na frente da prefeitura, no Viaduto do Chá. Em pouco menos de uma hora, o grupo já havia fechado as principais avenidas do entorno. Manifestantes encapuzados pegaram sacos de lixos das calçadas, colocaram no meio das avenidas e atearam fogo. Viaturas da São Paulo Transporte (SPTrans) foram destruídas.

Com a chegada da polícia, por volta das 19h, começou o confronto. Militantes lançavam pedras e policiais usavam gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão no Vale do Anhangabaú. A Polícia Militar estimou em 700 o número de manifestantes e a Guarda Civil Metropolitana, em mil. Organizadores do evento falaram em 5 mil.

Após o confronto no centro, o protesto se deslocou para a Avenida Paulista. A via chegou a ser bloqueada totalmente nos dois sentidos às 20h. Viaturas e motos da PM acompanharam os manifestantes, que voltaram a botar fogo em objetos no meio da avenida. Alguns depredaram bares, arrancaram fios de luz e jogaram pedras na polícia. Um fotógrafo do jornal O Estado de S.Paulo foi atingido com uma pedra na barriga.

O protesto ainda causou um dos piores índices de congestionamento do ano. Às 19h, havia 160 km de lentidão - a média do horário é de 138 km. A Paulista seguia parcialmente bloqueada por volta das 21 horas.

Reajuste

O aumento na passagem de ônibus, trens e metrô entrou em vigor no domingo. Os valores subiram de R$ 3 para R$ 3,20, um aumento de 6,7% - abaixo da inflação desde o último reajuste dos ônibus, de 14,4%. Para que isso fosse possível, a presidente Dilma Rousseff editou medida provisória para isentar dois tributos federais sobre as passagens de transporte urbano. O reajuste abaixo da inflação também vai exigir repasse recorde de verbas do Orçamento para custear a operação dos ônibus, segundo a própria Prefeitura. A previsão é de que esse repasse chegue a R$ 1,25 bilhão em 2013 - no ano passado, foi de R$ 960 milhões.

Para militantes do Movimento Passe Livre, porém, esse valor deveria ser bem maior. "A passagem deveria ser gratuita, assim como a saúde pública e a educação são", afirma a militante Nina Cappello.

Repercussão

O prefeito Fernando Haddad (PT) acompanhou a manifestação de seu gabinete. A assessoria informou que Haddad está aberto ao diálogo, o que não foi possível diante do rumo tomado pelos protestos. Já o governo do Estado informou que não se manifestaria porque o ato se referia à "passagem de ônibus municipal".

No centro, trabalhadores se dividiram. O porteiro Jorge Rossi de Oliveira, de 41 anos, que mora em São Miguel Paulista e pega dois ônibus por dia para chegar ao centro, aprovou. "Alguém tem de reclamar nessa vida. Tá certa a molecada." Já o lojista Rodolfo Bodelacci, de 36, foi contra. "Foi assustador. Ouvimos barulhos de bombas e gritos."

Rio, Goiânia e Natal também tiveram conflito

Manifestantes também fecharam vias, colocaram fogo em barricadas e enfrentaram a polícia durante protestos em outras três capitais. No Rio, dois estudantes e dois ambulantes foram detidos, após confronto com a Tropa de Choque. O ato contra o aumento da passagem mobilizou cerca de 150 pessoas na cidade, segundo a PM. O grupo se reuniu às 17 horas na frente da Igreja da Candelária e seguiu caminhando pela Avenida Presidente Vargas até a Central do Brasil.

Manifestantes tentaram interditar a avenida, sentando sobre o asfalto, e 30 policiais da Tropa de Choque foram acionados para impedir. Houve confronto e a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha. Pelo menos um homem foi atingido na perna por uma bala. Manifestantes reagiram com pedras. Os quatro detidos foram acusados de tentar ferir os PMs.

Organizado pela internet, o ato foi contra o reajuste da passagem, que passou de R$ 2,75 para R$ 2,95.

Estrada fechada

Em Natal (RN), um grupo que se intitula #Revolta do Busão, contrário ao aumento da passagem, que passou de R$ 2,20 para R$ 2,30, interditou o trânsito na principal via de saída da capital potiguar. Na BR 101, próximo a um dos principais shoppings da cidade, os manifestantes atearam fogo em pneus. O clima foi tenso, mas não houve confronto direto com os policiais.

Em Goiânia (GO), a PM precisou cercar alguns prédios públicos para evitar atos de vandalismo mais graves. Ainda assim, uma viatura da PM acabou com o para-brisa estilhaçado por um artefato lançado pelos manifestantes. A tarifa subiu de R$ 2,70 para R$ 3 00 no dia 22 de maio.

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