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Cultura

Quando a comunidade adota o saber

Se uma nação se constrói com homens e livros, como escreveu Monteiro Lobato, o bairro de Ferraria, em Campo Largo, está na direção certa. A biblioteca Cidadã Odila Portugal Castagnoli foi inaugurada em 2007 e já se tornou uma referência para a comunidade. Ferraria fica tão distante do centro de Campo Largo que, para os moradores, é mais perto ir a Curitiba. Biblioteca era algo que não fazia parte da paisagem local. Tudo mudou quando o espaço foi inaugurado. Mesmo pequeno, o local é atrativo e a arquitetura é a primeira a impressionar. Um painel de um artista local emoldura a entrada. Dentro, tudo está novo e no lugar, mesmo com uma frequência de 50 a 100 pessoas por dia.

Todas as manhãs e tardes, grupos de estudantes vão ao local para pesquisar e fazer trabalhos escolares. Entre um intervalo e outro correm até a seção de gibis. O material, aliás, não fazia parte do acervo inicial, foi doado pela comunidade. Agora a biblioteca já conta com 3 mil livros. Os mais emprestados por crianças e jovens são as coletâneas de Harry Potter e Senhor dos Anéis. Mas os clássicos também estão na moda por lá. Érico Veríssimo e José de Alencar também figuram na lista dos mais procurados.

Os amigos Camila Fernanda, 12 anos, Mateus Apolinário Justino, 10, Jonatam de Souza, 13, e Willian Expedito, 16, são verdadeiros ratinhos de biblioteca. Quase toda semana vão ao espaço. Entre uma pesquisa escolar e outra corriam para a ala dos gibis. Ainda estão no início da aprendizagem da leitura, mas começam a se interessar por este novo mundo. "Eu adoro ler poesia", diz a orgulhosa Camila. O outro lado do balcão também é só orgulho. Josiane Aparecida Rogaleski, Rosângela Skrobrot e Dilma Neduziak formam o time que faz o local se movimentar. Organizam concursos de poesia, canto, contação de histórias e desenho. Dão aulas de reforço nas disciplinas de redação e português e produzem um pequeno boletim informativo mensal. "Percebemos que o trabalho vale a pena. A comunidade nos adotou", diz Josiane.

Outra atividade concorridíssima no local são as aulas de informática. E elas foram dominadas por seis senhoras com mais de 60 anos que vão ao local a cada quinze dias aprender noções básicas e também digitação. "Para elas era um bicho de sete cabeças. É muito bacana acompanhar o desenvolvimento delas", diz a instrutora Catiane de Lourdes de Souza, de 18 anos.

Faróis

A capital paranaense foi pioneira no Brasil ao pensar em uma rede de bibliotecas descentralizadas, justamente para atender a população que vive em locais distantes do centro. Os Faróis do Saber se espalharam pela cidade levando um acervo de cerca de 6 mil livros para comunidades que antes não tinham nenhum equipamento cultural. Neste ano, o projeto está de aniversário: completa 15 anos.

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