Ponta Grossa Pelo menos quatro pessoas do Paraná estão na lista dos mortos no acidente com o Airbus 320 da TAM, que ocorreu na noite de terça-feira no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Roberto Wilson Weiss Júnior e Soraya Charara nasceram em Curitiba, mas moravam no Rio Grande do Sul. O engenheiro Heurico Tomita era de Londrina, mas morava em Maringá há mais de 40 anos. Já o consultor José Antônio Lima da Luz era gaúcho, com residência fixa em Londrina.
Curitibano, o diretor-executivo da rede de concessionárias Dipesul, Roberto Wilson Weiss Júnior, 38 anos, estava a bordo do vôo JJ 3054 a caminho de um evento em São Paulo. Weiss dirigia a empresa que representa a marca Volvo no Rio Grande do Sul desde julho de 2003. Formado em engenharia mecânica, trabalhou na fábrica curitibana da Volvo do Brasil.
O supervisor da Dipesul, Fernando Pettinati, lamenta a perda do amigo. "Nada que se possa falar dele é suficiente." O gerente da empresa, Joel Beckenkamp, informa que o substituto não foi escolhido. Casado, com duas filhas, de 14 e 9 anos, Weiss dirigia uma equipe de 320 funcionários.
Outra curitibana que morava fora do estado era Soraya Charara, de 42 anos. Ela estava há pelo menos 30 anos em Porto Alegre com a família: marido e três filhos, além de duas netas. Soraya embarcou no vôo JJ 3054 com outras duas colegas para o Seminário Jurídico do Instituto de Estudos dos Direitos do Contribuinte (IEDC) evento previsto para começar nesta quarta-feira em São Paulo e Minas Gerais, mas que foi cancelado por causa da tragédia.
Ela trabalhava desde novembro de 2002 na sede gaúcha do escritório Édison Freitas de Siqueira Advogados Associados, e não costumava viajar. Era gerente nacional de Controladoria Estratégica do escritório e diretora da Fundação Freitas de Siqueira. "Era o braço direito do presidente", resume o colega de trabalho Luciano Medina Martins. A curitibana cursava o último ano de Direito na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.
"A Soraya era admirada por todos pela facilidade em lidar com a responsabilidade sem perder a alegria e a serenidade", disse a jornalista Juliana Assur, de 26 anos, que trabalhava com a curitibana. Ninguém da família de Soraya embarcou para São Paulo para fazer o reconhecimento do corpo. O escritório de advocacia mandou representantes que estão cuidando dos detalhes.
Já o corpo do morador londrinense José Antonio Lima da Luz, 60, foi um dos nove reconhecidos até o começo da noite de ontem entre os mortos no acidente. Luz pode ter sido identificado rapidamente porque carregava todos os documentos pessoais e sentou-se na traseira do avião única parte da fuselagem que não fora totalmente destruída pelo choque e pela explosão. Ele era auditor contábil e um dos fundadores da cooperativa de crédito Unicred. Morava com a esposa Ilza Lima da Luz em Londrina há oito anos, e não tinha filhos.
No trabalho do auditor, o clima era de consternação e tristeza. Sobre a mesa vazia de José da Luz, apenas um discreto vaso de flores. O gerente da cooperativa, Julio César Pires Furtuoso, 29 anos, foi um dos últimos a encontrá-lo na terça-feira, quando viajaram para Curitiba. Luz seguiria para Porto Alegre, com escala em São Paulo, para visitar a mãe e resolver questões pessoais relacionadas à morte do pai, há 10 dias.
"Conversei com ele na terça-feira perto das 16h30, quando ele estava no Aeroporto e reclamou que o avião para Porto Alegre poderia atrasar. Era para ele voltar hoje", lamenta Furtuoso. A esposa Ilza, com o auxílio de vizinhos, partiu de carro para São Paulo. "Ela não quis ir de avião de jeito nenhum", conta a professora Adalci França, vizinha do casal.
O engenheiro e empresário Heurico Tomita, 51 anos, saiu de Maringá na semana passada para vistoriar obras das filiais das empresas Engelpem e Consolit, em Cachoeira do Sul (RS). Tomita fazia o trajeto com freqüência e estava retornando para Maringá, onde morava com a esposa e os dois filhos, de 18 e 21 anos. Ele também era diretor do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Maringá (Sindimetal).
"Ele era uma pessoa alegre", comentou a funcionária Dileuza Correa Martiliano. O irmão, Ricardo Tomita, e um amigo, João Aguiar, foram para São Paulo para reconhecerem o corpo. Até o fechamento desta edição, com a senha na mão, eles aguardavam na fila do Instituto Médico Legal (IML).



