
Aos 31 anos, Luiz Guilherme Zanlourensi, por pouco não perdeu uma das pernas. No dia 8 de maio de 2008, ele saía de moto do trabalho quando um carro saiu de uma garagem na Avenida Nossa Senhora da Luz, em Curitiba. A motorista deu a ré, embicando na avenida e Luiz não teve tempo de frear. Bateu forte na traseira do veículo. A perna direita foi prensada contra uma das lanternas do carro e o resultado foi uma fratura exposta abaixo do joelho, três fraturas no fêmur, 18 dias em coma e dois meses de internamento no Hospital Cajuru.
O rapaz passou por diversas cirurgias e a família chegou a autorizar a amputação. "Isso só não foi feito porque os médicos consideraram que meu organismo estava muito prejudicado e eu talvez não resistisse", lembra. Foi então que Luiz foi encaminhado para uma avaliação com o especialista em reconstrução e alongamento ósseo, Richard Luzzi. Graças ao avanço das técnicas cirúrgicas, a equipe de Luzzi tem evitado muitas amputações de membros inferiores. Nos últimos cinco anos, não foi feita nenhuma amputação em casos pós-traumáticos, que correspondem a 60% do volume de atendimento da especialidade.
O médico explica que antigamente bastava uma lesão de 5 ou 6 centímetros no osso para que houvesse a indicação de amputação. Hoje, graças ao refinamento das técnicas cirúrgicas e de implantes, pode-se recuperar lesões de até 20 centímetros. "Conseguimos recuperar pacientes que muitas vezes estariam incapacitados em plena idade produtiva e devolvê-lo ao mercado de trabalho", afirma.
Longo prazo
No caso de Luiz, os médicos colocaram um fixador externo para dar firmeza à perna e recuperar os 8 centímetros da tíbia perdidos no acidente. "Fiquei oito meses ajustando o aparelho para alongar o osso e depois mais quatro para garantir a resistência da perna", conta. Foi necessário um ano de afastamento do trabalho, mas hoje Luiz consegue caminhar sem o auxílio de muletas, dirige e leva uma vida normal.
Segundo Luzzi, a longo prazo a cirurgia de reconstrução, além de devolver ao paciente a capacidade de caminhar por si próprio, acaba sendo mais econômica do que a amputação e colocação de uma prótese. "A cirurgia custa em média 30% menos do que o paciente gastaria com reabilitação e manutenção da prótese. Essa manutenção pode custar até R$ 6 mil por ano", explica.







