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Rotina de assaltos preocupa moradores de dois bairros nobres de Curitiba

 | Átila Alberti/Tribuna do Paraná
(Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná)

A calmaria da rua emoldurada pela vegetação engana os desavisados. Mas o comportamento das pessoas escancara o problema da insegurança na região dos bairros Campina do Siqueira e Mossunguê, em Curitiba. Moradores relatam que há uma grande onda de assaltos nas proximidades da estação-tubo Major Heitor Guimarães e de um shopping na região.

“É de dia, de noite. Qualquer hora é hora”, protesta Idalina Silva, de 63 anos, moradora da região. De dentro da estação-tubo, onde esperava a condução para ir a mais uma sessão da fisioterapia, que a tem obrigado a sair de casa semanalmente, a mulher vigia a movimentação de quem circula pelo lado de fora.

Dentro ou fora dessa e de outras estações-tubo ao longo da Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, usuários do sistema de transporte coletivo, pedestres em geral e cobradores são alvos fáceis dos assaltantes. “Outro dia apareceram com um revólver e facas e levaram uns dez celulares. As vítimas eram todas funcionárias do shopping”, relata Raphael Kain . “Precisamos de ajuda, mas a impressão é que o poder público abandonou a região há muito tempo”.

Gisele Ramborger é outra funcionária do centro comercial que não aguenta mais a falta de segurança. Ela caminha apressada logo que desce do ônibus. A moça diz que nunca foi roubada nem sofreu qualquer tipo de furto, mas conhece quem já teve esse tipo de experiência. “É horrível. Saio do trabalho às 11h da noite e já aconteceu de eu chegar no tubo e o cobrador nem ter troco porque tinha acabado de ser assaltado. Polícia, aqui, só quando acontece alguma coisa e mais nada”.

Onda de assaltos

A 400 metros da estação Major Heitor Guimarães, o tubo Rio Barigui é ainda mais temido. A situação é ruim de dia e piora à noite. “Tem muita gente reclamando, com medo. E esse mato todo em volta, tá vendo? E falta iluminação também. Na estação Rio Barigui, nem os cobradores ficam no tubo se não tem passageiro e a média é de dois ou três assaltos por semana”, conta um rapaz que trabalha na região.

A sequência de assaltos é confirmada por um cobrador que prefere não dizer o nome. Ele revela que ocorreram nove roubos em três semanas. “Só que mudou nos últimos tempos. No começo o camarada vinha e só assaltava o cobrador. Agora, a tática é pegar só passageiro”. Na mira, principalmente telefones celulares. “Quando ele vem, tira uma média de dez a quinze aparelhos por vez”.

Nesse caso, o assaltante é sempre o mesmo. No local, a informação é de que se trata de um sujeito articulado, que se sente seguro nas abordagens e tem sempre o apoio de um carro, que fica pelas esquinas. “Os assaltos estão igual o trânsito: também têm horário de pico. São mais comuns entre 17h e 19h30, depois disso tem uma pausa, e começam de novo por volta das 21h”.

Outro trabalhador do transporte coletivo conta que já sofreu 16 roubos na região. “Quanto mais tarde, mais perigoso fica, mas isso não é regra. A única diferença é que, de dia, os roubos são geralmente contra os passageiros e, de noite, contra os cobradores”.

Entre os motivos para que a região esteja tão exposta à ação de criminosos, segundo os entrevistados, a baixa presença de comércios nos arredores é um dos mais mencionados. “É um local ermo, isolado”, explica um cobrador. Tem também a questão da iluminação pública. “Antes não tinha luz nenhuma. Agora até ligaram uma lâmpada aqui, outra ali, mas é tudo muito precário diante da dimensão do problema”, argumenta outro. “Que proteção nós temos aqui?”

Em março, a Tribuna denunciou o problema do monitoramento deficiente nas estações-tubo. Na ocasião, a reportagem revelou que mais de 15% das câmeras da Urbs em tubos e terminais estavam fora de uso por causa da ação dos vândalos. Quatro meses depois, o problema é o mesmo. “Do Campina do Siqueira até o Campo Comprido só dois tubos têm câmeras”, relata um cobrador.

Outro cobrador acredita que ajudaria se houvesse policiamento à paisana pra flagrar os assaltantes. “A Guarda Municipal tinha esse tipo de ação até algum tempo atrás, mas depois acabou”.

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