
São Paulo - Seis rapazes com idades entre 25 e 35 anos foram assassinados a tiros, na madrugada de ontem, debaixo de um viaduto no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Cinco deles eram moradores de rua. Os disparos foram feitos a uma distância inferior a 5 metros. Ao todo, 16 tiros, disparados de pistolas calibre 9 mm e 380, acertaram as vítimas. Foi a segunda chacina em pouco mais de 24 horas na Grande São Paulo por volta da 1 hora da madrugada de segunda-feira, seis pessoas foram assassinadas no bairro Jardim Industrial, em São Bernardo do Campo.
As vítimas da matança de ontem, que segundo a polícia eram viciadas em crack e cometiam pequenos crimes na região, estavam dormindo. Testemunhas disseram que o grupo vivia embaixo de uma alça de um viaduto, na divisa entre Guarulhos e São Paulo, há pelo menos dois anos. Para a polícia, a principal hipótese é que os assassinatos tenham sido cometidos por pessoas que estavam "incomodadas" com a presença deles. Outra hipótese é que as mortes tenham sido motivadas por vingança de uma mulher, parente de um policial militar, que teve a bolsa furtada na região. Uma testemunha, no entanto, disse que traficantes e policiais estavam incomodados com os furtos cometidos por usuários de crack.
A chacina ocorreu por volta da meia-noite. Quatro pessoas em duas motos chegaram ao local, na Rua Anoriaçu, e começaram a atirar. Uma das vítimas, identificada como Adriano de Jesus, tentou fugir e morreu no hospital. Uma jovem de 25 anos foi baleada na cabeça e está hospitalizada. Dos seis mortos, só um não vivia nas ruas: Manoel do Nascimento Batista Cerqueira Júnior, 29 anos, que morava em um conjunto na região.
Outra vítima foi identificada como Leandro Jesus de Oliveira, 26 anos. Ele foi reconhecido pela mãe, Sueli Jesus Costa. Ela disse que o filho estava preso por furto, em regime semiaberto, saiu no feriado de Páscoa e nunca mais voltou. Vivia na região, longe de casa, por causa do vício em crack. "Ele não foi me visitar nem no Dia das Mães", disse Sueli.
Considerada pela polícia uma área infestada por pontos de tráfico de drogas, todos dominados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o Jaçanã enfrenta uma onda de violência há 16 dias. Além dos seis rapazes mortos ontem, outras quatro pessoas foram assassinadas desde sexta-feira. No domingo, um policial militar foi morto em uma emboscada no bairro. Com o crime de ontem, chegou a 32 o número de pessoas mortas em chacinas neste ano na Grande São Paulo.







