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Eleições

Sapo barbudo versus picolé de chuchu

Brasília (AE) – Eles são obstinados, contadores de "causos" e donos dos mais curiosos apelidos da política tupiniquim. Mas as semelhanças não vão muito além disso. Com estilos totalmente opostos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), prometem civilidade na campanha à Presidência da República que pela primeira vez vai pôr em xeque o modo petista e o jeito tucano de administrar o Brasil. Pura retórica: na prática, a disputa entre o "sapo barbudo" do PT e o "picolé de chuchu" do PSDB tem tudo para agitar a temporada de pepinos que se anuncia.

Alckmin será o Lula da campanha de 2002, pregando a mudança com respeito aos contratos, o crescimento com inclusão social. Longe dos tempos em que era o "Lulinha paz e amor" para agradar ao mercado, o presidente que hoje vive às voltas com a crise política fará de tudo para arquivar os problemas e falar somente do que lhe interessa: as "obras" de seu governo. Incorporando o figurino de pai dos pobres, Lula usará como trunfo o Bolsa-Família, vendida pelo Planalto como "o maior programa social do mundo". "Vai ser uma briga de frasqueiras: Louis Vuitton contra Bolsa-Família", ironiza o deputado Paulo Delgado (PT-SP), numa referência ao estilo chique do tucanato. "O Alckmin não é de luxo, não: ele gosta mesmo é de um bom PF (prato feito): arroz, feijão e bife com ovo", retruca o amigo Walter Feldman, secretário municipal das Subprefeituras. O governador e o presidente se conhecem desde os anos 80 quando ainda eram apenas Geraldo e Lula. Na época, Alckmin era um apagado deputado estadual do MDB e Lula, incendiário candidato do recém-criado PT ao governo de São Paulo. Os dois nunca tiveram uma relação próxima, mas viviam cercados por amigos em comum. Será apenas nesta eleição, porém, que os estilos e temperamentos de cada um vão se confrontar na vitrine da campanha. O presidente deverá se acostumar a ver o adversário carregando um cadernão universitário de 200 folhas, a postos para anotar reivindicações de eleitores. Lula não tem paciência para esses detalhes. Delega a tarefa de registrar as audiências à petista Clara Ant, que prepara fichas por assunto das conversas mantidas por ele em seu gabinete.

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