
Dois meses e meio depois de a sede da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), que ficava no Juvevê, ser demolida, a entidade finalmente poderá desmontar as barracas que instalou no terreno para impedir a tomada da área pela empresa que diz ser proprietária do local. A partir desta quinta-feira (22), uma nova sede, pré-moldada, começa a ser montada.
O material para a construção da nova casa, além da disponibilização de pedreiros para o serviço, foi doado aos estudantes por um grupo denominado "amigos do Pessuti". O vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), que é um dos pré-candidatos ao governo do estado em 2010, afirma que tem uma ligação com a Upes de 40 anos e negou que a doação tenha tido alguma conotação de fundo político. "Absolutamente não, tenho uma ligação com a Upes desde 1968, 69, quando estava em Jardim Alegre. Sempre tive um comprometimento com os movimentos estudantis", afirmou Pessuti.
O vice-governador confirmou que coordenou o movimento para a arrecadação de fundos. "Mantenho o relacionamento permanente com eles (estudantes). Eles me apresentaram a dificuldade que tinham para reconstruir a casa e fiz um apelo para diversos amigos meus", explicou.
Pessuti disse que 10 a 12 "amigos do coração" ajudaram com doações de R$ 100, R$ 200, R$ 300 ou R$ 400. "Acho que doei R$ 500, se não me falhe a memória, pois foi há dois dias já. Não sabia quanto era necessário para a reconstrução", disse o vice, que não soube afirmar quanto o grupo conseguiu arrecadar. "A vantagem que eu quero é que a Upes continue funcionando onde sempre esteve", definiu.
Obras
Caso o tempo colabore, a intenção é concluir a construção da estrutura principal, com 58 metros quadrados, em três dias. "O que vai demorar mais é o banheiro, que precisará ser feito todo em alvenaria", explica Rafael Clabonde, presidente da Upes. A expectativa da entidade é inaugurar a nova sede entre os dias 21 e 22 de novembro, quando será realizado o Congresso da Upes. "Faremos a inauguração em meio a um ato público, que deve contar com a participação de 500 lideranças estudantis de todo o estado", diz o presidente do movimento.
Demolição
O antigo imóvel, que ficava na esquina das ruas Marechal Mallet e Manoel Eufrásio, foi derrubado no dia 7 de agosto, em meio a um protesto de membros da entidade que terminou em tumulto. A confusão começou quando representantes de uma empreiteira, que afirma ser proprietária do imóvel, estiveram no local para cumprir mandado de reintegração de posse. Os próprios estudantes admitem que o terreno, que pertencia à Upes, foi vendido em 1995, mas alegam que o negócio foi feito de forma irregular. A disputa pelo terreno está na Justiça, que ainda não julgou o mérito de uma ação que decidirá o verdadeiro proprietário da área.
Na mesma semana em que ocorreu a demolição, um grupo de estudantes passou a se revezar para passar as noites no terreno. "O objetivo é impedir que a empresa tome de vez o terreno, já que ainda não houve decisão judicial favorável a ela", disse Clabonde.
Solidariedade
Além de todo o material para a reconstrução da casa pré-fabricada, os estudantes recebem diversos tipos de doação desde que tiveram a antiga sede demolida. Como mostrou reportagem da Gazeta do Povo, uma vizinha do local permite até que os estudantes usem a internet e o telefone em seu apartamento.
Até o advogado Luiz Edson Fachin, um dos mais renomados da cidade, assumiu a defesa dos estudantes gratuitamente. "Às vezes moradores param o carro, deixam comida e vão embora. Nem sabemos onde moram", contou Clabonde.



