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Violência

Sentença de adolescente que matou a tia deve sair em até 45 dias

Crime aconteceu na última quinta-feira (6) e acusado está apreendido na ala de internação do Ministério Público, onde deve permanecer até que saia decisão sobre seu futuro

O adolescente acusado de ter matado a tia, Josineire Oliveira Zieben, de 42 anos, na madrugada da última quinta-feira (6), deve aguardar a decisão da Justiça sobre seu futuro apreendido na ala de internação do Ministério Público do Paraná (MP-PR), no Tarumã. A sentença, que deve sair em no máximo 45 dias, pode determinar que o jovem de 14 anos cumpra pena em regime aberto, com medidas socioeducativas, ou fechado, se for comprovado que ele oferece perigo a si mesmo ou a outros. Durante esse período ele deverá passar por exames psicológicos e psiquiátricos, atendendo o pedido do MP-PR, e por uma audiência na presença de seus pais, agendada para o dia 19 deste mês.

A promotora do MP responsável pelo caso, Danielle Cavali Tuoto, explica que antes da decisão judicial, que poderá ocorrer antes do prazo de 45 dias, uma nova audiência, desta vez com testemunhas, irá acontecer e poderá ajudar a determinar qual a pena para o adolescente. "Este caso nos chama bastante a atenção porque temos a autoria, mas não é possível identificar a real motivação para o assassinato. Ele foi pego em flagrante e confessa que premeditou, organizou e executou o crime, mas não consegue sustentar seus argumentos do porquê", aponta Danielle.

Em interrogatório informal, realizado pela promotora e na presença dos pais, o adolescente alegou que se sentia pressionado para tirar boas notas, que lhe impunham muitos limites, tanto em casa pela tia, como na escola e que vinha sofrendo bullying pelos colegas. "Entretanto, conforme questionado sobre o tipo de pressão que sofria, em casa e no colégio, ele relatava situações consideradas normais, inclusive por ele. Nada estava diretamente ligado ao homicídio em si, não houve um fato que justificasse."

Danielle Tuoto relata que no depoimento o jovem confessou ter desferido as facadas, mas não se mostrava arrependido. "Ele estava bastante tranquilo e consciente e contou que havia planejado há dias, pego a faca de churrasco e aguardado até o momento em que o tio viajaria e ficaria sozinho com a tia para desferir os golpes. Não foi no meio de uma discussão, no calor do momento", explica a promotora. O adolescente chegou a contar para um amigo que queria matar a tia. As circunstâncias dessa conversa ainda estão sendo investigadas e este outro adolescente não é considerado cúmplice.

A família do acusado, que mora em Antonina, relatou ao MP que o jovem possuía bom relacionamento com os tios, considerados por ele como pais também, e que Josineire era rígida com os estudos e horários do sobrinho, mas nada além do considerado normal. "A mãe chegou a contar que se sentia satisfeita porque a irmã colocava o filho dela nos limites." O adolescente morava com os tios há cinco anos, desde que fora aprovado no exame de admissão do Colégio da Polícia Militar. Segundo informações dos professores, não havia nada no comportamento dele que despertasse a atenção e sempre teve boas notas. Era considerado um garoto tímido e quieto e não tinha histórico de uso de drogas.

De acordo com a promotora, algumas mudanças nas atitudes do adolescente, como o desejo por só usar roupas pretas, as horas passadas em frente ao computador jogando e desinteresse pela religião foram encaradas pela família como situações normais da adolescência. "Nem a escola e nem a família perceberam mudanças que pudessem levar a atitudes como essa. Sobre os jogos, ele mesmo afirmou que passava muitas horas jogando mas que não foi isso que motivou as facadas", complementa a promotora.

Uma perícia será feita na casa e no computador do adolescente para tentar identificar se há envolvimento do jovem com outras pessoas que pudessem tê-lo instigado a praticar o crime. O marido de Josineire deverá ser ouvido nos próximos dias e poderá dar mais detalhes sobre a relação de tia e sobrinho. Se as avaliações psicológicas e psiquiátricas comprovarem algum distúrbio, o adolescente poderá cumprir como pena o tratamento psiquiátrico, com internação (como é chamada a detenção de crianças e adolescentes) ou não.

Relembre o caso

Por volta da 1h15 do último dia 6 os moradores de um condomínio na Rua Professora Maria Assumpção, no Hauer acordaram com os gritos de Josineire. Ela teria sido atingida por mais de 30 vezes com golpes de faca pelo sobrinho, que tentou fugir mas foi detido pelos vizinhos e entregue à polícia. A mulher chegou a ser socorrida e levada ao Hospital do Trabalhador, mas não resistiu e faleceu instantes depois. Apreendido pela Delegacia do Adolescente, o jovem confessou que teria planejado e matado a tia.

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