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Livro

Seqüestradores usam táticas de guerrilha

Entrevista com o delegado Rubens Recalcatti

Recalcatti: além do refém e da família, policial também sofre | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Recalcatti: além do refém e da família, policial também sofre (Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo)

O delegado Rubens Recalcatti e a escritora Noely Manfredini, especialista em Direito, lançaram, ontem, no Victoria Vila Hotel, em Curitiba, o livro Seqüestros: modus operandi, estudo de casos. A obra detalha casos de seqüestros ocorridos no Brasil e no mundo desde os anos 60. "Criamos um banco de dados, em dois anos e meio de muito estudo, que vai servir como fonte de pesquisa para policiais e acadêmicos ", diz Noely. Em entrevista à Gazeta do Povo, Rubens Recalcatti, policial há 30 anos, deu mais detalhes sobre o livro. Como surgiu a idéia de produzir a obra?

São poucos os livros e estudos que tratam do tema. Houve uma evolução desse tipo de crime nos últimos anos. O que despertou a idéia foi um seqüestro ocorrido na região de Ivaiporã (Norte do estado), em 1991, cometido pela quadrilha dos irmãos Oliveira. Eles seqüestraram um ônibus com 33 trabalhadores rurais, durante a fuga de outro seqüestro, em Maringá. Foram seis dias de negociação, da qual participei. Dois delegados, um refém e uma terceira pessoa foram mortos. A partir desse caso, eu e a Noely passamos a reunir outros e estudar a ação dos marginais e da polícia.

Como se deu a evolução das quadrilhas?

No Brasil, os presos comuns se misturaram a presos políticos, principalmente depois da metade do século 20. Os seqüestros comuns serviam como fonte de renda para causas revolucionárias. Com essa mistura, os seqüestradores comuns, por exemplo, começaram a usar táticas típicas da guerrilha. Hoje, as quadrilhas se transformaram em grupos interestaduais. Existem também os seqüestros com fins políticos comuns na Colômbia e no Iraque.

Casos internacionais foram analisados?

Sim. O seqüestro realizado pelo narcotráfico, por facções e os com fins religiosos também foram analisados, assim como o seqüestro virtual e o relâmpago. A violência e a crueldade usada pelos marginais, como a mutilação, são bastante usadas para conseguir o que querem.

Existem os seqüestradores menos preparados...

São jovens inexperientes, menos organizados que uma quadrilha. Estão envolvidos com drogas, agem por impulso e não sabem lidar com negociações ou cativeiros. Daí surgiram o seqüestro virtual e o relâmpago.

O livro aborda outras questões, como a recuperação das famílias que tiveram um parente seqüestrado?

Não só a recuperação da família como as dos policiais. Pouco se discute sobre o estresse policial. O seqüestrado sofre, a família sofre, mas o policial envolvido também tem um desgaste emocional terrível.

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