Entre os adolescentes, a possibilidade de visita íntima também é polêmica. Francisco (nome fictício) já esteve privado de liberdade duas vezes. Ele diz que a saudade das namoradas é um tema recorrente entre os jovens. E que o assunto sempre deixa todos tensos. Hoje, ele faz tratamento contra as drogas em uma clínica na região metropolitana de Curitiba. "É difícil ficar sem as visitas, principalmente porque muitos já têm mulheres e filhos, uma vida de família mesmo. Aí ficam pensando como será quando eles saírem." Francisco passou parte da infância e adolescência nas ruas e diz que a principal dificuldade era a falta de informação sobre métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.
Apesar da dificuldade de ficar longe das companheiras, Francisco acredita que nem todos os jovens teriam a responsabilidade de usar preservativos. "Acho que a maior parte dos garotos que está privados de liberdade pensaria duas vezes, porque um filho é uma responsabilidade a mais. Só que tem alguns que não pensariam assim."
A psicóloga Iliete Gallotti, do Centro de Socioeducação (Cense) São Francisco, também diz que o assunto é complexo. "Muitos são imaturos emocionalmente e não se responsabilizam por suas ações. Sempre acham comigo não vai acontecer." Ela conta que no Cense os adolescentes têm atividades de educação sexual e gostam de discutir o tema. "Eles têm informações erradas sobre sexualidade, ficam muito no achismo. Quando debatemos o tema, eles ficam muito interessados."



