
Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou ontem que a postura do governo diante da gripe suína, causada pelo vírus Influenza A (H1N1), deve ser de alerta. As declarações foram dadas um dia depois de o presidente Lula afirmar que a doença era grave, mas não do tamanho "que se vendeu".
Temporão, que participou de audiência pública no Senado para discutir as providências tomadas diante da ameaça de pandemia, procurou por várias vezes mostrar que seria precipitado fazer qualquer avaliação. "A doença é nova. É cedo para que se possa fazer previsões refinadas sobre o que pode ocorrer."
No boletim divulgado ontem, havia no país 32 casos suspeitos, 29 em monitoramento e oito confirmados. Para o ministro, a situação da doença no Brasil se mantém: transmissão limitada, não sustentada. Ele observou que a letalidade, que no início dos casos girava em torno dos 6%, agora não ultrapassa 1,1%. "Ao contrário de algumas semanas atrás, a maioria das pessoas que entra em contato com o vírus apresenta um quadro relativamente leve." Ele ressaltou, porém, que não há nada que garanta que, dentro de dois ou três meses o padrão ainda seja o mesmo.
Temporão criticou as declarações feitas na semana passada, sobre o risco de o país apresentar um aumento significativo de casos com a chegada do inverno. "É ruim usar turbante e uma bolinha de cristal. Saúde pública se faz com fatos e estudos científicos", afirmou. "O importante é que o país está preparado."
Rio de Janeiro
Mais um paciente do sexo masculino, de 27 anos de idade, foi internado na tarde de ontem, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, na Ilha do Governador, no subúrbio do Rio de Janeiro, definido como caso suspeito de infecção pelo vírus Influenza A (H1N1).
O hospital divulgou em nota que o paciente esteve nos Estados Unidos e chegou ao Brasil no dia 3 de maio. Segundo os médicos responsáveis pela internação, ele passa bem e aguarda resultado do exame laboratorial. Os três pacientes contaminados com o H1N1 que estão internados no Clementino Fraga Filho passam bem, segundo boletim divulgado ontem.
O jovem de 21 anos que foi o primeiro a ter o diagnóstico de gripe A (H1N1) confirmado no Rio deverá receber alta hoje do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Ele contraiu a doença no México, para onde tinha viajado para participar de um torneio esportivo.
Em entrevista por telefone à Rede Globo, o jovem afirmou que já teve gripes piores do que a que o acometeu nos últimos dias. "Fiquei até um pouco assustado quando recebi a notícia [de que estava com a gripe A (H1N1)], porque não tive nenhum sintoma muito forte. Tive febre de no máximo 380C, um pouquinho de tosse e nariz entupido. Não tive dor no corpo, dor de cabeça, mal estar, nada disso, relatou.
A chefe do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do hospital, Regina Moreira, disse que o paciente apresentava "excelente estado geral e só não tivera alta ainda devido à necessidade de respeitar os dez dias de isolamento recomendado para evitar a transmissão da doença.







