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Ensino superior

Sonho de estudar na capital é coisa do passado

Universidades do interior do Paraná aumentam a oferta de cursos na última década e recebem mais alunos do que as instituições de Curitiba

A oferta maior de cursos no interior atraiu estudantes como Pâmela Oliveira, que decidiu cursar Jornalismo em Londrina | Gilberto Abelha/Jornal de Londrina
A oferta maior de cursos no interior atraiu estudantes como Pâmela Oliveira, que decidiu cursar Jornalismo em Londrina (Foto: Gilberto Abelha/Jornal de Londrina)

O sonho de cursar uma faculdade está cada vez menos distante para quem vive no interior. Especial­mente no Paraná, que tem seguido uma tendência oposta à registrada na maioria dos estados. Enquanto em grande parte do país a oferta de vagas do ensino superior está concentrada nas capitais, no Paraná as matrículas têm crescido em ritmo mais acelerado fora de Curitiba. Na última década, o número de matrículas na capital paranaense au­­mentou 52,3% ao mesmo tempo em que o interior registrou um acréscimo de 66,1% em seus quadros universitários. Números que fazem o estado ter a 4.ª maior proporção de matrículas no interior em todo o Brasil.

De acordo com o Censo da Educação Superior, realizado pelo Ministério da Educação entre 2001 e 2010, os municípios do interior paranaense ganharam cerca de 85 mil estudantes universitários. Enquanto isso, Curitiba registrou no mesmo período um acréscimo de 41,6 mil matrículas. Em âmbito nacional, o crescimento acontece de forma inversa. O ingresso de novos estudantes nas capitais aumentou 83,5% na última década, enquanto no interior o porcentual ficou em 76,5%.

Segundo o Ministério da Educação, 80 municípios do interior do Paraná, o equivalente a 20% do total, têm instituições de ensino que ofertam cursos superiores presenciais. Até 2010 eram 128 instituições disponibilizando quase 1,5 mil cursos. Oferta essa que atrai gente de outros estados para o território paranaense. Caso de Pâmela Oliveira, que saiu de Sorocaba, em São Paulo, para cursar Jornalismo na Universidade Estadual de Lon­­drina (UEL). "Em Sorocaba não há curso de Jornalismo em faculdade pública. Como ouvi falar que o curso em Londrina era bom, optei por vir estudar aqui", conta a estudante, que está no segundo ano de faculdade.

O secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal Neto, credita a expansão paranaense a uma ação conjunta dos governos estadual e federal, ao lado das instituições particulares. "Houve todo um movimento de levar novos cursos para o interior. No caso do governo estadual, temos uma estrutura pesada que é difícil de ser mantida. Mas é um patrimônio inestimável e nossa linha é de expandir cada vez mais ao interior", afirma. Atualmente as universidades estaduais estão presentes em 35 municípios.

Pós-doutora na área de educação, Regina Michelotto, professora aposentada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta a primeira década do século 21 como o início de um novo processo de expansão do ensino superior no Brasil. "O Paraná, que já tinha um perfil voltado para a interiorização, se encaixou muito bem nesse processo. Não apenas com instituições particulares, que fazem da educação uma mercadoria, mas com um forte investimento do poder público", frisa.

Professor da Faculdade de Edu­cação da Universidade de Brasília (UnB), Remi Castioni acredita que não basta apenas levar a oferta de ensino às cidades do interior. Para ele, é necessário pensar os cursos de acordo com as demandas regionais, visto que a principal consequência dessa expansão é o desenvolvimento das localidades beneficiadas. "A presença de professores e estudantes ajuda a movimentar a economia dos municípios", avalia.

Instituições privadas lideram crescimento

Apesar de as universidades públicas terem ampliado a oferta de vagas ao longo dos últimos anos, as principais responsáveis por expandir o ensino superior no interior do Paraná são mesmo as instituições privadas. Enquanto as matrículas no ensino público tiveram um acréscimo de 54,9% ao longo da última década, na rede privada elas mais que dobraram, crescendo 105,5%.

Em 2001, havia 66 instituições privadas distribuídas pelo interior paranaense, as quais ofertavam 369 cursos. Em 2010, elas já eram 112, com 882 cursos disponíveis. Enquanto isso, o número de instituições públicas permaneceu praticamente estagnado. Nesse período houve a criação de uma instituição federal no interior, mas foram desativadas duas estaduais. Na rede estadual o acréscimo de cursos não chegou a 50%, sendo que entre as particulares esse porcentual chegou a quase 140%.

Maior instituição privada do estado, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná tem três câmpus no interior – Londrina, Ma­­rin­­gá e Toledo –, que juntos abrigam aproximadamente 6 mil estudantes. Para o vice-reitor Paulo Otávio Mussi Augusto, a expansão do ensino privado traz consigo não apenas maior oferta, mas sobretudo a preocupação com a qualidade da educação.

Cenário nacional

Em todo o Brasil, a rede privada também vem se expandindo em níveis superiores à rede pública. De 2001 a 2010, as matrículas em instituições particulares cresceram 102,3% nas capitais e 80,5% no interior, enquanto nas instituições públicas os índices foram de 67,5% e 42,1%, respectivamente. "Mesmo com uma expansão considerável no ensino público, ainda não se conseguiu reverter a relação com o privado. Apenas 25% das vagas são públicas, o que está muito aquém do que deveria ser", diz o professor Remi Castioni, da UnB.

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