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Tabagismo

SUS oferece tratamento contra fumo

Por uma década, a dona de casa Maria Ione, 70 anos, enfrentou uma verdadeira batalha: o desejo de parar de fumar. Fumante desde os 13 anos, dona Ione comemora o período de cinco meses de abstinência. Entre as primeiras tentativas da dona de casa para se livrar do cigarro está a velha tática conhecida entre os fumantes: reduzir o consumo sem contar com o acompanhamento de um profissional da saúde. "Eu sempre falava que tinha vontade de parar de fumar, mas sozinha não conseguia."

Dona Ione não é exceção. Estudos nacionais e internacionais, segundo o Ministério da Saúde (MS), apontam que 80% dos fumantes desejam parar de fumar. Sem apoio, somente 3% conseguem a cada ano.

Há dois anos, dona Ione resolveu procurar ajuda ao saber de um tratamento gratuito oferecido no posto de saúde onde participava de um grupo de terceira idade. O auxílio é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em oito dos 399 municípios do Paraná que integram o Programa Nacional de Controle ao Tabagismo, coordenado pelo MS desde 2000. Ao todo, são 225 cidades participantes em todo o país.

No Paraná, até agosto de 2005, 600 pessoas passaram pelo tratamento, sendo que 150 deixaram de fumar sem utilizar medicamentos. O índice de sucesso no período foi de 25%. Com a chegada dos remédios aos postos de saúde desde o final de 2005, a taxa pode subir para 35% a 40% – índice comprovado cientificamente por estudos internacionais, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Porém engana-se quem pensa que vai encontrar uma espécie de kit de fumantes nas unidades de saúde que implantaram o tratamento. A busca pelo controle da doença começa no consultório, onde o médico avalia se a pessoa tem condições de parar de fumar sozinha ou se precisa de ajuda. Se for a segunda opção, o paciente passa por encontros com outros fumantes – orientados por especialistas como médicos, enfermeiros ou psicólogos.

São várias sessões de terapias de grupo (chamado tecnicamente de método cognitivo comportamental). Ao final de cada uma das quatro primeiras, os participantes recebem um manual que traz explicações sobre o tabagismo e como combatê-lo. Após essa fase, os encontros são preventivos e mensais, até que o paciente complete um ano de tratamento.

Ao final do primeiro mês, quem participa das reuniões já deve ter parado de fumar. Porém, nem todos conseguem. Na última sessão da primeira fase do programa, na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, em Curitiba, a dona de casa Neideli dos Santos Portela, 50 anos, lamenta o fato de ainda não ter conseguido largar o cigarro. "Mas já reduzi bastante. Antes fumava uma carteira por dia, agora fumo uma em três dias." Mesmo assim, Neideli não desiste. "Eu vou conseguir, mas já queria ter parado", diz.

Já a auxiliar de produção Olinda Fernandes da Silva, 48 anos, comemora o fato de ter deixado o cigarro há uma semana. Olinda fumava desde os 15 anos e conta que desde o início sempre teve vontade de parar. "Até semana passada eu achava que nunca iria conseguir." A luta de Olinda agora é para evitar as recaídas. Segundo ela mesma, isso vai ser tirado de letra. "Já fui até conversar com o pessoal do serviço que sai no intervalo só para fumar e não tive vontade. Pretendo continuar assim porque estou feliz, tranqüila e me sinto muito melhor."

Vontade própria

O médico pneumologista Ricardo Henrique Meirelles do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Inca ressalta que o primeiro passo para a obtenção de sucesso no tratamento é o fumante ter vontade de parar de fumar. "O tratamento é para amenizar o sofrimento do fumante, mas depende dele. A desistência é grande porque ele é o agente fundamental do processo", explica. No ano passado o programa atingiu quase 100 mil fumantes em todo o país. A meta para 2006 é de que o tratamento chegue a 175 mil pessoas.

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