Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Educação

Suspeitos admitem fraude no Enem e são indiciados

Polícia Federal realizou acareação ontem e considera o caso quase concluído, classificando a atuação do grupo como “amadora”

Reunião realizada ontem entre secretários de Educação, reitores e o ministro Fernando Haddad (de gravata amarela) para encontrar uma data ideal para a aplicação do Enem | Renato Araujo/ABr
Reunião realizada ontem entre secretários de Educação, reitores e o ministro Fernando Haddad (de gravata amarela) para encontrar uma data ideal para a aplicação do Enem (Foto: Renato Araujo/ABr)

São Paulo - A Polícia Federal indiciou criminalmente ontem mais três acusados de envolvimento no escândalo do vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): Felipe Pradella, 32 anos, apontado como mentor da trama; e dois colegas seus, identificados por "Felipe" e "Marcelo", que trabalhavam com ele no mesmo setor da gráfica – conferência e manuseio dos cadernos de questão. Todos foram enquadrados por violação de sigilo funcional e peculato, crime atribuído a servidor público ou a quem exerce função equiparada. A pena para o delito vai de 2 a 12 anos de reclusão.Agora são cinco os suspeitos da PF na execução da trama, desde o furto do documento até os contatos com veículos de imprensa aos quais pretendiam vender a prova. Dois investigados já haviam sido enquadrados pelo vazamento: o empresário Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria nos Jardins, e o DJ Gregory Camillo Craid. Nin­guém está preso. Até aqui, a PF não viu necessidade de pedir a custódia do grupo que fraudou o Enem porque todos confessaram o crime e se apresentaram espontaneamente. Para os investigadores, o caso está esclarecido. A Polícia Federal sustenta que o grupo é "amador, primário", sem qualquer tipo de vinculação política. O inquérito 2.984/09 deve ser concluído com os indiciamentos e remetido à Justiça.

Sob forte pressão, ameaçado de prisão temporária, Pradella apresentou-se à PF, onde chegou às 10 horas. Seu depoimento durou cerca de quatro horas. Segundo a PF, ele confessou o furto do caderno e apontou os dois colegas.

Pradella ganhava R$ 60 por dia e achou que poderia arrecadar R$ 500 mil de uma só vez com a venda dos papéis. Ele e seus companheiros de seção foram admitidos por empresa terceirizada para serviço temporário na gráfica, por uma semana. Descobriu, já no segundo dia, que a prova do Enem era a matéria-prima com a qual iria trabalhar. Pradella confessou a participação e afirmou que não agiu por encomenda de nenhuma agremiação política.

"Felipe teve noção de que o trabalho na gráfica era muito falho, uma bagunça, quando teve acesso à prova. Não havia revista na entrada nem na saída. A polícia está verificando que não havia controle nenhum nessa gráfica. Estão aparecendo mais pessoas nas imagens de segurança", declarou a advogada de Felipe, Claudete Pinheiro. Ela define seu cliente como "corretor de imóveis, uma pessoa comum, não é nenhum criminoso contumaz, não é nenhum bandido". A advogada foi taxativa: "O Felipe não está vinculado a nenhum partido de oposição, não quer derrubar ministro."

Claudete ainda afirmou que Pradella e seus colegas não sabiam que era ilícito vender a prova. "Ele ouviu de um jornalista de tevê a sugestão sobre os R$ 500 mil", disse.

A PF apurou que o furto da prova teria ocorrido na última semana de setembro, na esteira da impressão. Os suspeitos teriam se aproveitado de um ponto cego no sistema de vídeo da segurança. Como viu contradições nos relatos, a PF submeteu Pradella, "Felipe" e "Marcelo" a uma acareação. Os federais exibiram a eles as imagens do circuito fechado. Num primeiro momento, eles teriam planejado vender a prova a estudantes. Mas Pradella recebeu a sugestão "de alguém" para tentar repassar o caderno para a mídia.

Os advogados Luiz Vicente Bezinelli e Manoel Antonio de Lima Júnior, defensores do dono da pizzaria, disseram que os depoimentos de hoje "mostram claramente que Luciano Ro­­drigues não teve nenhum envolvimento com toda essa tramoia." "Esteve lá [na pizzaria] o Gregory, que é conhecido do Luciano, e levou Felipe, que se apresentou como Fábio, dizendo que tinha uma bomba jornalística. Como Luciano tinha contato com a imprensa, porque já trabalhou em O Estado de S. Paulo, ele poderia ajudá-los no sentido de indicar o jornal que iria tomar as providências para avisar todo mundo que o exame tinha vazado", disse Bezinelli, alegando que o papel de seu cliente foi apenas o de comunicar a im­­prensa.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.