O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) recebeu a denúncia do Ministério Público que acusa o caseiro Erivaldo Francisco de Moura de envolvimento na morte da menina Grazielly Ameida Lames, 3 anos. Ela foi atropelada por um jet ski na praia de Bertioga (litoral de São Paulo), em fevereiro do ano passado.
A acusação de lesão corporal, homicídio culposo e omissão de socorro havia sido rejeitada na primeira instância sob o argumento de não havido "conduta imprudente" por parte do caseiro no incidente.
O Ministério Público, então, entrou com um recurso que foi aceito na Justiça. O magistrado Marco Antonio Marques da Silva considerou que existem provas suficientes no processo que indicam que Moura "colocou a moto aquática no mar, entregando as chaves para os adolescentes".
Na decisão, ele afirma que "entregar embarcação motorizada a pessoa não habilitada, como no caso dos autos é conduta sabidamente ilegal" e mesmo que ele tenha cumprido ordem de seu chefe, o fato não o exime das responsabilidades legais.
Além do caseiro, os acusados pelo crime são: José Augusto Cardoso (dono do veículo), Thiago Veloso Lins e Aílton Bispo de Oliveira (mecânicos que teriam sido imprudentes ao deixar uma peça do equipamento enferrujar). O garoto de 13 anos que dirigia o jet ski vai responder por ato infracional.
Em depoimento a Justiça em agosto, o caseiro havia afirmado que o adolescente e um amigo levaram o veículo sozinhos para a praia. Ele também afirmou que foi buscar o jet ski após o acidente e que não sabe quem autorizou os garotos a usarem o veículo.Na fase de investigação, testemunhas disseram à polícia terem visto Moura levar o veículo até a praia para os dois garotos.
Atropelamento
O acidente aconteceu no dia 18 de fevereiro do ano passado. Grazielly tinha vindo de Artur Nogueira (a 145 km da capital paulista) para passar o carnaval na cidade. Ela brincava na areia com a mãe quando foi atingida na cabeça pelo jet ski em alta velocidade.
O adolescente de 13 anos admitiu à polícia e ao Ministério Público que ligou o jet ski que atropelou e matou Grazielly. Ele nega que tenha montado e pilotado o veículo. Segundo o depoimento do jovem, um amigo também menor de idade o acompanhava.
Ele afirmou também que teve a autorização dos padrinhos José Augusto Cardoso Filho e Ana Júlia Campos Cardoso para colocar no mar o veículo. Cardoso era pré-candidato à prefeitura de Suzano (Grande São Paulo) pelo PSDB. A mãe do menino confirmou que foi Cardoso quem autorizou o uso do aparelho.
A mãe do garoto disse ainda que, após o acidente, levou ele para sua casa de veraneio na Riviera de São Lourenço por temer represálias da população.







