
A nota máxima atingida pelos programas de pós-graduação do Paraná foi 6, o que já confere um conceito internacional. Apenas três cursos do estado mantiveram esse status, já obtido no último exame da Capes, em 2007. São eles: os programas de Zootecnia e Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e o mestrado e doutorado em Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR).Para Benedito Prado Dias Filho, pró-reitor de pesquisa de pós-graduação da UEM e membro do Conselho Paranaense de Pesquisa e Pós-Graduação, tanto em Maringá como em Curitiba o bom desempenho desses cursos se explica pela tradição, visto que já são bem antigos. "O programa de Ecologia de Ambiente é do final da década de 70 e se consolidou pela parceria com empresas de energia, durante a construção de grandes barragens, inclusive Itaipu". Já o de Zootecnia está próximo de fazer 35 anos, bem como o programa em Direito da UFPR, criado em 1982.
O professor conta que outros cursos, inclusive na Universidade Estadual de Londrina (UEL), estão prestes a entrar no rol dos programas internacionais. "Há vários programas de nível 5 que pleiteiam elevação para nível 6, mas a Capes é bem conservadora nesses conceitos. Ela só concede essa certificação quando percebe que há consolidação da qualidade, para garantir que não se trata apenas de um pico de qualidade", destaca Dias Filho.
Dos 31 programas de pós-graduação da UEL, seis têm nota 5. Já a UEM tem cinco cursos nota 5. "Londrina e Maringá têm características bastante parecidas e alguns desses cursos são programas de ponta. Notadamente na área de Medicina Veterinária, em ambas, deve ser a próxima a alcançar esse patamar [nota 6]", aposta.
Já a nota 7 é um passo mais difícil. "O nível 7 depende de um estreitamento com universidades estrangeiras, com intercâmbio de alunos e professores, e possibilidade de dupla titulação. Não é um processo fácil. Assinamos termos de cooperação, onde o aluno cumpre créditos nas duas instituições e faz parte dos experimentos nas duas. As teses e dissertações passam por banca internacional e com isso o diploma pode ser reconhecido em dois países. A mobilidade internacional deve ser um processo constante, e não eventual", explica o professor.
Recém-criados
Mesmo com destaque em programas de padrão internacional, a UEL e a UEM concentram 21 programas, 36% do total, com nota 3. Segundo Dias Filho, esse bloco é caracterizado por cursos novos e que ainda não alcançaram notoriedade. Nesse caso, a alternativa é seguir o modelo aplicado nos cursos já consagrados nas instituições. "A UEM vem investindo fortemente, desde os anos 80, em formação de professores no Brasil e no exterior. Esse pessoal volta e fomenta os nossos próprios programas."
Análise rigorosa
O Conselho Nacional de Educação só aprova os cursos recomendados pela Capes, daí a importância da avaliação. Aqueles com notas 1 e 2 são descredenciados e fechados.
Como funciona
- Cada área do conhecimento elabora um documento que analisa critérios específicos. Assim a avaliação dos cursos na área da saúde é diferente da área de humanas.
- A avaliação é realizada a cada três anos. Cursos novos não são avaliados completamente.
- Após a avaliação do comitê de área, representantes se reúnem com o conselho técnico científico do ensino superior, que homologa ou não os resultados.
O que é avaliado
- Proposta do programa: com foco na coerência das propostas, infraestrutura, entre outros.
- Corpo docente: perfil dos professores, formação, adequação em relação às áreas de concentração, número de orientações.
- Corpo discente: qualidade das teses e dissertações apresentadas pelos alunos, distribuição entre os orientadores, etc.
- Produção intelectual: avalia a produção de docentes e discentes. Contam, por exemplo, o número de artigos científicos publicados em periódicos de qualidade.
- Inserção social: critério novo. O peso ainda varia entre as áreas. Entram aqui também visibilidade e transparência.
O que é
- Mestrado: dura geralmente dois anos. Nesse período o acadêmico desenvolve um projeto de pesquisa sob a orientação de um professor.
É uma formação mais profunda e específica que a graduação. Ao final é apresentada uma dissertação.
- Doutorado: é o passo seguinte do mestrado. Ainda há um professor orientador, mas espera-se que o acadêmico seja mais autônomo e pesquise um assunto inovador. Tem duração de quatro anos e, no final, é apresentada uma tese.



