
Emoção e homenagens marcaram o último adeus ao ator e diretor José Wilker, morto aos 69 anos de infarto, enquanto dormia, na manhã de sábado, no Rio de Janeiro. O velório começou às 23h30 de sábado, varou a madrugada e foi até a tarde de ontem, atraindo fãs, parentes e amigos para o Teatro Ipanema, importante polo da vanguarda teatral carioca dos anos 1960 e 1970. Por volta das 15 horas, o corpo de Wilker seguiu, sob os últimos aplausos do público, para o Memorial do Carmo, onde foi cremado em cerimônia reservada à família e amigos.
"Ele deixa um buraco muito grande. O Wilker saiu de cena muito cedo", disse a atriz Betty Faria, chorosa, pouco antes de entrar no teatro, na manhã de ontem. Segundo ela, Wilker foi o ator com quem mais contracenou em sua carreira.
De madrugada, houve movimentação pelo menos até as 2 horas. Passaram por lá atores como Tony Ramos, Andrea Beltrão, Marieta Severo e Paulo Betti. Também prestaram homenagem o autor de novelas Gilberto Braga e o teatrólogo Aderbal Freire Filho.
O palco do Teatro Ipanema foi todo decorado com quadros com fotos de Wilker em cena, em várias peças diferentes. Os quadros, que ficam na casa do ator e diretor, no Jardim Botânico, foram cercados por orquídeas e pelas coroas de flores em sua homenagem. Além disso, uma bandeira do Flamengo, time para o qual Wilker torcia, foi colocada no chão do palco.
Os fãs prestaram suas homenagens. Ana Maria Regis, 66 anos, levou um cartaz ao velório. Numa folha simples, escreveu à mão: "Adeus, Vadinho", numa referência ao personagem de Wilker no filme Dona Flor e seus Dois Maridos. "Adeus, Vadinho. Adeus a todos os personagens", disse Ana Maria, ao deixar o velório.
Segundo a fã, ela viu o filme baseado na obra de Jorge Amado duas vezes. "Quero rever tudo", completou.







