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Crônica de verão

O paraíso é logo ali

 | Felipe Lima / Gazeata do Povo
(Foto: Felipe Lima / Gazeata do Povo)

Ali pelo meio da tarde, ele vai até a janela do escritório e olha para o trânsito na rua lá embaixo. Buzinas não param de tocar, um congestionamento que não anda, enquanto ele afrouxa a gravata e toma um gole de água para tentar amainar o calor que nem o ar-condicionado consegue domar.

Pensa em como seria bom largar tudo naquele instante e se mandar para a praia. Passar o dia esticado na areia, cerveja à mão e aquele mar enorme pela frente para contemplar e se arriscar pegando algumas ondas. Olha o calendário na mesa de um colega e se dá conta de que é apenas quarta-feira. Ainda teria outros dois dias de expediente pela frente. Mas de sábado não passaria!

Chegou a convidar a namorada. Mas ela tinha o aniversário de uma prima para ir. Melhor assim. Teria a praia só para ele, teria seus próprios pensamentos só para si.

O destino seria uma daquelas praias pouco frequentadas onde costumava ir com os amigos na adolescência. Há anos não pisava nelas. Mas ainda sabia o caminho de cor – tanto que poderia ir no piloto automático.

Sábado, caiu da cama de madrugada. Amarrou a prancha de surfe no teto do carro, jogou a mochila com as roupas no banco de trás. Conferiu se as duas lanternas (uma era de reserva) e as pilhas estavam ok. Ajeitou como pôde a velha barraca, que há anos não saía do armário da garagem, para dar um passeio no porta-malas do carro, revisou alguns utensílios de primeira necessidade (protetor solar, repelente de mosquito, parafina para a prancha...) e partiu.

Na saída do posto de combustíveis, onde abastecera o bólido, botou no aparelho de som uma surf music para entrar no clima e se dirigiu à rodovia que o levaria ao paraíso sem olhar para trás: segunda-feira estaria de volta, completamente renovado, com energias recarregadas.

Mas já nos primeiros trechos da rodovia percebeu que a felicidade não chega assim tão fácil. Uma fila quilométrica de carros parados, buzinas incessantes ressoando no ar, gente sem paciência por todos os lados. Seriam horas de congestionamento para conseguir andar míseros quilômetros. E tudo isso sem o prazer compadecido de poder afrouxar a gravata e tomar um gole de água gelada...

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