
Hoje é dia de churrasco. Não importa a hora ou o tempo lá fora. A ordem é ter cheirinho de carne assada pairando no ar, música na caixa, copo cheio e muita descontração. Não há nada que sintetize melhor o espírito das férias de verão do que um bom churrasco.
Para um casal de veranistas de Curitiba, o primeiro churrasco da temporada aconteceu no último sábado, em Matinhos. Neste dia quente e de céu azul, o gerente comercial Sérgio Betes, 50 anos, e a esposa Áurea, pedagoga, 48, reuniram de improviso em sua casa de praia uma porção de amigos com o intuito de comer uma carninha e botar a conversa em dia. "Isso aqui é só diversão", garante Sérgio, o churrasqueiro oficial do grupo. "O pessoal vem aqui brincar e tirar sarro um do outro. É assim que a gente deixa todo o estresse de lado", comentava ele, enquanto servia linguiças para os convidados e aproveitava para atiçar a fome da cadela Luna, uma simpática labradora de dois anos.
Acerto de contas
Churrasco que se preze não pode pesar muito no bolso e é aí que a habitual vaquinha entra em ação. Na casa dos Betes, cada participante contribuiu com R$ 15, o suficiente para comprar 4,5 quilos de carne e outros acompanhamentos, como informa a advogada Adriana Santos, 36, responsável pela compra dos mantimentos. Além de ir ao mercado, ela ainda levou para o almoço uma farofa especial à base de soja. "A receita? Lá vai: em uma panela, doure no óleo quente três xícaras de soja texturizada e acrescente um pacote de sopa de cebola e farinha biju a gosto."
Para poucos
Longe de ser um churrasqueiro cheio de truques, Sérgio Betes é daqueles que preferem conduzir espetos e grelhas com objetividade e simplicidade. "Meu negócio é filé e linguiça, que são rápidos de assar. Ficar desde cedo em função da carne não é comigo. Portanto, a costela está fora do cardápio. Já tentei, mas não deu certo", reconhece. De fato, assar uma costela não é para qualquer um. Para prepará-la é preciso no mínimo cinco horas de cozimento, em fogo alto e constante, a uma distância de 90 centímetros da brasa.
O trabalho todo, porém, vale a pena. "Ela reúne os sabores de todas as outras carnes e ainda por cima é barata. Não troco uma costela bem assada por picanha nenhuma", garante o gaúcho de Erexim Luiz Germano Scholze, 58 anos, dono de uma casa de carnes em Matinhos. Segundo ele, uma forma de acelerar o processo é cobrir a costela com o próprio saco de carvão abafando-a ainda mais. "Outra dica importante é virar a parte do matambre para o fogo só depois que a costela já estiver bem cozida. Do contrário, o matambre resseca e é aquela tristeza", avisa o gaúcho.
Papo solto
Nada de música alta ou jogo de cartas. No churrasco na casa dos Betes o único som que se ouvia era o das risadas. "Como mal temos tempo de conversar durante o ano, quando a gente se reúne só quer bater papo", diz a gerente de contas Silmara Previdi, 47 anos.Com tanto assunto para colocar em dia, eles esquecem principalmente de olhar para o relógio. "Nossos churrascos são como festa de polaco. Não tem hora para acabar", brinca Jairo Nascimento.








