
Já imaginou juntar características do skate, snowboard e surfe em um só esporte? Pois essa prática existe há algum tempo no Brasil e também é feita no Litoral paranaense pelos atletas mais radicais. O esporte chamado de wakeboard, ou simplesmente wake, tem como objetivo fazer manobras em cima de uma prancha que é puxada por um barco (ou jetski, em alguns casos) em alta velocidade. Entre as possibilidades, saltos e deslizes sobre a água são os destaques para iniciantes e pessoas no nível intermediário.
Relativamente novo no Brasil chegou aqui há 10 anos , o wakeboard ainda tem poucos praticantes. No Paraná não é diferente. Quase não existem associações de esportistas e tampouco serviços de locação de equipamentos ou barcos para a prática. "Conheço apenas dez pessoas que fazem com frequência. No verão até surgem mais praticantes, gente que quer experimentar a brincadeira, mas pessoas que vêm com regularidade são poucas", explica Gustavo Andrade, empresário de Curitiba que é um dos poucos wakeboarders nome dados ao praticante do nosso Litoral.
O curitibano pratica o esporte há cinco anos. "Antes costumava vir até no inverno. Colocava roupa de borracha (proteção contra o frio) e entrava na água. Agora dei uma paradinha. Mesmo assim venho quase todo fim de semana na temporada e duas ou três vezes no restante do ano", conta.
Neste tempo sobre a prancha, o empresário aprendeu dicas que agora passa aos outros. Ele explica que é necessário escolher um ponto de água mais calma e sem a incidência direta de ventos, que causam trepidação excessiva da prancha e cansaço acima do normal ao atleta. No Litoral paranaense, os principais pontos são as baías. "Guaratuba e Paranaguá são os destinos mais escolhidos. Em Guaratuba, onde pratico o wake, o pessoal prefere os rios Biguaçu e Joaquim Jorge. Eles são largos, fundos e não têm vento. Por isso são os mais escolhidos", diz.
A reportagem acompanhou uma das investidas, no Rio Biguaçu, na Baía de Guaratuba, a cerca de três quilômetros da costa. Além de Gustavo, outro wakeboarder também há cinco anos, o advogado Gustavo Balabuch, caiu na água para dar as dicas.
A arte das manobras
Se o looping espécie de salto é a manobra mais perseguida, também ocupa lugar de destaque no ranking das mais perigosas. Isso porque exige uma concentração maior, sorte e prática. "Uma vez tentei fazer um looping e bati a cabeça na água. Fiquei desacordado por uns cinco minutos e só acordei quando as pessoas já estavam me puxando de volta para o barco", relembra Andrade.
Depois do susto, o praticante aconselha: vá devagar. Entre as manobras indicadas, os saltos e os deslizes sobre a água são boas dicas para quem é iniciante ou intermediário. Mas nada com muito segredo. "O ideal é fazer o que a marola criada pelo barco pede, sem muito planejamento", explica Gustavo Balabuch.
Para os saltos, os esportistas dão as dicas. Assim como no skate, o impulso é fundamental para fazer a prancha decolar da água. "O barco gera uma marola que o praticante aproveita para os saltos. Quanto mais alta a marola, mais alto o salto."
Iniciativa própria para garantir a adrenalina
A pouca popularidade do wakeboard se deve principalmente ao alto custo. Não existem serviços de locação de barqueiros ou equipamentos para a prática. Quem quiser se aventurar, precisa fazer por contra própria. "Tem de ser na raça. A pessoa interessada precisa arranjar o barco, quem o pilote e o equipamento completo (prancha, corda e colete salva-vidas)", diz Andrade.
O barco é o primeiro desafio de quem pretende se lançar no esporte. Para a diversão, o wakeboarder precisa de uma boa embarcação. "Existem pessoas que puxam o wake até de jet ski. Mas para ter um bom desempenho, é necessário uma lancha com motor de, no mínimo, 100 hp", explica. Além disso, são necessárias três pessoas: uma é responsável por pilotar a lancha e outra para observar a posição do esportista, quando e onde ele cai, e o terceiro, que é o praticante. "Como nem sempre encontramos o número ideal de pessoas, é comum virem apenas o piloto e o praticante", conta Andrade.
Para completar o orçamento, é preciso levar em conta o combustível gasto. Segundo Gustavo, para brincar durante cerca de uma hora, o custo em gasolina gira em torno de R$ 60. O consumo do barco costuma ser de 25 litros a cada uma hora. O wakeboarder diz que esse não é um esporte tão acessível, mas que a emoção e todo o visual que proporcionam valem o investimento.





