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Voos radicais em águas calmas

Sobre uma prancha puxada por um barco, os wakeboarders agitam as águas tranquilas do Litoral paranaense. As baías de Paranaguá e Guaratuba são os melhores locais para a prática do esporte

  • PorCarlos Coelho
  • 01/01/2009 21:02
Com experiência de cinco anos, Gustavo Andrade faz manobras arrojadas na Baía de Guaratuba | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Com experiência de cinco anos, Gustavo Andrade faz manobras arrojadas na Baía de Guaratuba| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Dicas

Esporte de dificuldade média, segundo praticantes, o wakeboard tem alguns segredos para tornar a prática mais fácil. Conheça alguns deles:

> Barco: opte por barcos com motor acima de 100 hp. Quanto maior a potência da embarcação, mais marolas serão geradas, facilitando algumas manobras como os saltos.

> Mastro: é interessante prender a corda que liga o praticante ao barco em um ponto alto. É comum os praticantes instalarem mastros em suas embarcações para que a corda venha de cima. Com isso, o praticante ganha mais sustentação e consegue saltos mais altos. Isso porque a corda vindo de cima puxa a prancha para o alto quando pula.

> Em pé: para quem é iniciante, a dica para ficar em pé – primeiro grande desafio – é jogar um dos pés logo à frente, assim que puxado pelo barco. Outro segredo é não fazer força nos braços para subir. O barco deve levantar o praticante e são as pernas que devem estar firmes.

> Velocidade: deve variar de acordo com a experiência do praticante. Em geral, é comum que os barcos andem o equivalente a 40 km por hora, o que garante segurança e boas manobras ao praticante.

> Corda: não deve ser elástica, para garantir o equilíbrio do praticante. Quanto mais rígida, melhor o desempenho. Além disso, o wakeboarder deve estar a uma distância mínima de seis metros do barco. Quando aumenta-se a distância, as condições para manobrar são facilitadas.

Fontes: Fábio Román, instrutor de wakeboard de Santa Catarina; Gustavo Andrade e Gustavo Balabuch, praticantes paranaenses

  • Gustavo Balabuch dá a dica: o ideal é aproveitar as marolas para pegar impulso
  • Veja os equipamentos utilizadas na prática do wakeboard

Já imaginou juntar características do skate, snowboard e surfe em um só esporte? Pois essa prática existe há algum tempo no Brasil e também é feita no Litoral paranaense pelos atletas mais radicais. O esporte chamado de wakeboard, ou simplesmente wake, tem como objetivo fazer manobras em cima de uma prancha que é puxada por um barco (ou jetski, em alguns casos) em alta velocidade. Entre as possibilidades, saltos e deslizes sobre a água são os destaques para iniciantes e pessoas no nível intermediário.

Relativamente novo no Brasil – chegou aqui há 10 anos –, o wakeboard ainda tem poucos praticantes. No Paraná não é diferente. Quase não existem associações de esportistas e tampouco serviços de locação de equipamentos ou barcos para a prática. "Conheço apenas dez pessoas que fazem com frequência. No verão até surgem mais praticantes, gente que quer experimentar a brincadeira, mas pessoas que vêm com regularidade são poucas", explica Gustavo Andrade, empresário de Curitiba que é um dos poucos wakeboarders – nome dados ao praticante – do nosso Litoral.

O curitibano pratica o esporte há cinco anos. "Antes costumava vir até no inverno. Colocava roupa de borracha (proteção contra o frio) e entrava na água. Agora dei uma paradinha. Mesmo assim venho quase todo fim de semana na temporada e duas ou três vezes no restante do ano", conta.

Neste tempo sobre a prancha, o empresário aprendeu dicas que agora passa aos outros. Ele explica que é necessário escolher um ponto de água mais calma e sem a incidência direta de ventos, que causam trepidação excessiva da prancha e cansaço acima do normal ao atleta. No Litoral paranaense, os principais pontos são as baías. "Guaratuba e Paranaguá são os destinos mais escolhidos. Em Guaratuba, onde pratico o wake, o pessoal prefere os rios Biguaçu e Joaquim Jorge. Eles são largos, fundos e não têm vento. Por isso são os mais escolhidos", diz.

A reportagem acompanhou uma das investidas, no Rio Biguaçu, na Baía de Guaratuba, a cerca de três quilômetros da costa. Além de Gustavo, outro wakeboarder também há cinco anos, o advogado Gustavo Balabuch, caiu na água para dar as dicas.

A arte das manobras

Se o looping – espécie de salto – é a manobra mais perseguida, também ocupa lugar de destaque no ranking das mais perigosas. Isso porque exige uma concentração maior, sorte e prática. "Uma vez tentei fazer um looping e bati a cabeça na água. Fiquei desacordado por uns cinco minutos e só acordei quando as pessoas já estavam me puxando de volta para o barco", relembra Andrade.

Depois do susto, o praticante aconselha: vá devagar. Entre as manobras indicadas, os saltos e os deslizes sobre a água são boas dicas para quem é iniciante ou intermediário. Mas nada com muito segredo. "O ideal é fazer o que a marola criada pelo barco pede, sem muito planejamento", explica Gustavo Balabuch.

Para os saltos, os esportistas dão as dicas. Assim como no skate, o impulso é fundamental para fazer a prancha decolar da água. "O barco gera uma marola que o praticante aproveita para os saltos. Quanto mais alta a marola, mais alto o salto."

Iniciativa própria para garantir a adrenalina

A pouca popularidade do wakeboard se deve principalmente ao alto custo. Não existem serviços de locação de barqueiros ou equipamentos para a prática. Quem quiser se aventurar, precisa fazer por contra própria. "Tem de ser na raça. A pessoa interessada precisa arranjar o barco, quem o pilote e o equipamento completo (prancha, corda e colete salva-vidas)", diz Andrade.

O barco é o primeiro desafio de quem pretende se lançar no esporte. Para a diversão, o wakeboarder precisa de uma boa embarcação. "Existem pessoas que puxam o wake até de jet ski. Mas para ter um bom desempenho, é necessário uma lancha com motor de, no mínimo, 100 hp", explica. Além disso, são necessárias três pessoas: uma é responsável por pilotar a lancha e outra para observar a posição do esportista, quando e onde ele cai, e o terceiro, que é o praticante. "Como nem sempre encontramos o número ideal de pessoas, é comum virem apenas o piloto e o praticante", conta Andrade.

Para completar o orçamento, é preciso levar em conta o combustível gasto. Segundo Gustavo, para brincar durante cerca de uma hora, o custo em gasolina gira em torno de R$ 60. O consumo do barco costuma ser de 25 litros a cada uma hora. O wakeboarder diz que esse não é um esporte tão acessível, mas que a emoção e todo o visual que proporcionam valem o investimento.

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