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Orçamento

Vida longa custa mais caro

A longevidade pesa no bolso do brasileiro com mais de 60 anos. A inflação para a terceira idade é maior do que a da população em geral

Edir e Amélia Barbosa fazem economia com os tratamentos de saúde para não comprometer o orçamento mensal | Fotos: Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo
Edir e Amélia Barbosa fazem economia com os tratamentos de saúde para não comprometer o orçamento mensal (Foto: Fotos: Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo)
Veja o perfil de consumo das famílias onde metade dos integrantes tem mais de 60 anos |

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Veja o perfil de consumo das famílias onde metade dos integrantes tem mais de 60 anos

Não deveria, mas a ginástica financeira do custo de vida fica mais pesada depois dos 60 anos. Para o brasileiro idoso, a inflação em 2009 foi de 4,09% (IPC-3i), pouco acima (0,14 ponto porcentual) do cálculo do Índice de Preços ao Consumidor da população em geral (IPC-BR), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que foi de 3,95%. A despesa que mais pesou para as famílias com idosos foi a de habitação, que registrou em 2009 alta de 4,98% e respondeu por 38% da inflação.

"Em geral, as famílias com idosos estão sujeitas aos mesmos aumentos das outras famílias. O que diferencia é o quanto a casa com idosos consome de certos produtos e serviços, fazendo estes reajustes serem mais pesados para o custo de vida dos cidadãos seniores", explica o economista da FGV André Braz.

Para as famílias formadas por pelo menos metade dos integrantes com mais de 60 anos de idade, alimentação, habitação e saúde são os itens que mais comprometem o orçamento doméstico. As taxas do IPC-3i para esses setores superaram as registradas para a inflação geral. O aposentado Edir Barbosa, de 73 anos, nem precisa dos estudos econômicos para saber o quanto ele deve esticar a aposentadoria para dar conta dos compromissos do mês. Ele e a esposa moram com três dos sete filhos do casal. E trazem os gastos controlados para não estourar o orçamento. "A alimentação oscila um pouco, mas o que pesa mais são as tarifas públicas e de serviços", avalia. Água, luz, telefone e gás são itens de necessidade básica para a família. "Daí a gente faz economia em outras contas." Um dos arranjos que Barbosa faz é na administração dos tratamentos de saúde. Não é para menos. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2003, a última divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), gastos com saúde – médicos, hospitais, la­­boratórios e planos de saúde – ocupam 15% da renda dos idosos. Na casa de Edir e Amélia Barbosa, a ajuda dos filhos é importante para custear o plano de saúde dela. "Faço os meus tratamentos e exames médicos pelo SUS. Tive plano de saúde enquanto trabalhava, mas não deu mais para bancar o particular para os dois", explica ele. Amélia sofre de artrose e precisa de acompanhamento médico constante. "Não dá para depender do postinho", diz o marido. Os medicamentos de uso contínuo para hipertensão eles pegam na rede pública. Mas sempre têm de complementar a farmácia de casa. Nem com as contas na ponta do lápis a vida financeira tem folga. "Deixa­mos de fazer muitas coisas por falta de dinheiro e para não estourar o orçamento. Preciso fazer uma reforma na casa, por exemplo, mas sempre estou adiando as obras."

Maria Massoli Paris, de 81 anos, "investe" o salário mínimo que ganha de aposentadoria nas compras dos medicamentos que não consegue no postinho. Faz as consultas na rede pública de saúde e já não consegue mais acompanhar os preços do mercado. "Minha aposentadoria não acompanha os reajustes. Cada vez que vou ao mercado é um susto", diz.

Medição

A inflação da terceira idade, medida pela FGV desde 1990, ajuda a balizar o poder de compra de uma população que cresce acima da média das outras faixas etárias. E, com base nesses dados, pode orientar políticas sociais para a terceira idade – como a isenção de tarifas de transporte, meias entradas ou descontos proporcionais –, além de nortear a execução de programas que contemplem a assistência a idosos.

Um exemplo é a proibição dos reajustes de valores por avanço de idade nos planos de saúde, prevista no Estatuto do Idoso, que tem im­­pacto menor no custo de vida dos idosos pobres do que programas de popularização do acesso a medicamentos, como os genéricos ou as farmácias populares.

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