Apesar da notificação da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, sobre as visitas íntimas irregulares na Delegacia de Almirante Tamandaré, nenhuma medida foi tomada para controlar a situação. O relatório da vistoria feita em junho e entregue semana passada à Sesp aponta que, por falta de espaço na delegacia superlotada, as visitas íntimas ocorriam nos fundos do corredor das celas, à vista dos outros detentos.
"Para ter um pouco mais de privacidade, os próprios parentes faziam uma espécie de cortina humana para cobrir o casal que estava nos fundos do corredor", explica a advogada Isabel Kugler Mendes, que coordenou o levantamento da OAB nas carceragens de Curitiba, região metropolitana e Paranaguá. Segundo Isabel, a informação foi relatada à comissão da OAB pelos detentos e parentes e confirmada pelos próprios policiais da delegacia. "Os policiais disseram que são obrigados a aceitar essas condições. Do contrário, os presos ameaçam se rebelar", diz.
O relatório da OAB indica ainda outros problemas na unidade. Por causa da superlotação, alguns presos são obrigados a dormir em cima do buraco utilizado pelos presos para suas necessidades fisiológicas. A carceragem ainda sofre de infestação de baratas e aranhas. Por último, o relatório aponta que na época da vistoria os presos faziam apenas uma refeição diária: o almoço preparado pelos próprios funcionários da delegacia.
A assessoria de imprensa da Sesp informa que a delegacia de Almirante Tamandaré está sendo reformada, conforme solicitação anterior do Ministério Público. E que essas reformas que incluem a colocação de chuveiros e a troca do piso trarão mais conforto aos detentos e segurança aos policiais. (MXV)







