Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Cidadania

Viver com deficiência, uma prova de obstáculos

Há cinco anos, a palavra "acessibilidade" entrou no vocabulário das pessoas – e nas leis que tornaram a vida um pouco menos complicada para quem tem algum tipo de deficiência. De lá para cá, tornaram-se relativamente comuns guias rebaixadas nas calçadas, ônibus com elevadores, rampas nos prédios de grande circulação, semáforos sonoros, calçadas com pista tátil para cegos, janelinhas para a linguagem dos sinais na TV e o recurso closed caption nos programas de televisão. Mas, segundo os próprios deficientes, ainda há um caminho longo a percorrer para que a inclusão e a acessibilidade sejam mais que idéias bem-intencionadas e peças de publicidade eleitoral.

"O poder público se preocupou em promover a acessibilidade de maneira superficial", opina Mauro Nardini, 45 anos, presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP). "Há guias rebaixadas apenas no centro e em bairros privilegiados, os ônibus adaptados são poucos, os motoristas e cobradores não são orientados e as linhas atendem com mais freqüência os mesmos bairros centrais. Se eu for paraplégico e morar na periferia, como fico?", questiona.

Ele também se queixa da dificuldade para entrar e/ou circular em prédios públicos, bibliotecas e universidades, com uma crítica especial às adaptações no prédio central da Universidade Federal do Paraná (UFPR): "As rampas de madeira estão totalmente fora do padrão. Experimente subir lá com uma cadeira de rodas", afirma. E a lista de reclamações vai longe: elevadores de estações-tubo que não funcionam, falta de manutenção de guias e calçadas, rampas obstruídas, vagas reduzidas em estacionamentos, falta de lugar específico em shows, igrejas e outros espaços públicos.

Até a recuperação do asfalto é objeto de críticas por parte do presidente da ADFP. "O recapeamento é feito por cima da malha asfáltica existente e cria um degrau imenso. A rua vai ficando mais alta em relação à calçada e, conseqüentemente, fica ainda mais difícil para subir nos ônibus", observa.

Estacionamento

Sobre as vagas de estacionamentos destinadas às pessoas com deficiência, Nardini aponta o número reduzido e a falta de consciência de algumas pessoas que insistem em utilizá-las. "Temos de brigar como cães para ter a vaga liberada", comenta. Mas Nardini também faz uma autocrítica: "Os deficientes ou aqueles que os transportam precisam ter o adesivo com o símbolo internacional do cadeirante no veículo. Muitos ainda não o fazem, e as pessoas podem achar que a vaga está ocupada por quem não tem qualquer deficiência", explica.

A ex-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coede) e coordenadora do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação (SEED), Angelina Mattar Matiskei, reconhece as falhas, mas menciona também os avanços conquistados nos últimos anos. "Reativamos o Coede e procuramos incentivar a implantação dos conselhos municipais", comenta.

Angelina também menciona os progressos na área educacional: "Até dezembro de 2002, 52 mil alunos com necessidades especiais eram atendidos na rede estadual. Hoje eles são cerca de 70 mil. Também promovemos o primeiro concurso público para o ingresso de professores de educação especial no quadro do magistério estadual", emendou. Realizado em 2004, o concurso ofereceu 5,5 mil vagas – 4.860 foram preenchidas "por profissionais com terceiro grau e especialização em Educação Especial", garante Angelina. Desses, 2.212 já estão trabalhando, 1.370 devem ser chamados até o fim do ano e os demais até março, explicou. "O estado não tinha como promover a inclusão antes porque não havia professores na rede de apoio regular", justifica. Hoje 31.385 alunos são atendidos no ensino regular, e 38.615 mil na escola especial.

Por fim, ela lembra que, em dezembro de 2002, 45 municípios paranaenses não eram contemplados pela Educação Especial. "Hoje são apenas nove, mas a meta é atender os 399 municípios do estado até o fim de 2006", destacou.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.