São Paulo (Folhapress) Segundo o Ministério Público de Ribeirão Preto, Rogério Buratti, preso na quarta-feira, disse que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, recebia propina de R$ 50 mil mensais de 2001 a 2004 da Leão&Leão. Palocci foi prefeito de Ribeirão Preto duas vezes: de 1993 a 1996, e de 2001 a 2003, quando virou ministro de Lula. Buratti fez a denúncia após ter aceitado a oferta da delação premiada: se suas declarações forem úteis às investigações, ele pode ter a pena reduzida caso seja condenado.
O ESQUEMA LEÃO&LEÃOA empreiteira pagava propina por acordos feitos com administrações da região de Ribeirão Preto, que alteravam os editais de licitação favorecendo a Leão&Leão. A empresa venceu licitação para serviços de coleta de lixo, em junho de 1999, em Ribeirão, quando o prefeito era Luiz Roberto Jábali, então no PSDB (19972000).
ANTôNIO PALOCCIPrefeituras da região de Ribeirão Preto, onde a Leão&Leão atuava, recebiam mensalmente de 5% a 15% do faturamento mensal da empreiteira. Para a Prefeitura de Ribeirão Preto, no entanto, ficou acordada mesada fixa de R$ 50 mil, entregues ao então prefeito Palocci
PT NACIONALBuratti afirmou ter ouvido Ralf Barquete secretário da Fazenda de Palocci dizer que o dinheiro era entregue a Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, para financiamento de campanhas. Após Palocci ter deixado a prefeitura, em 2003, a propina continuou a chegar a seu substituto, que era seu vice, Gilberto Maggioni. Ele teria o compromisso de continuar enviando a verba ao PT.
ROGÉRIO BURATTIFoi secretário de Governo na primeira gestão de Palocci em Ribeirão. Foi exonerado em 1994 após a divulgação pelo jornal Folha de S. Paulo de uma fita em que conversava com o dono de uma empreiteira sobre distribuição de obras.
LEÃO&LEÃOFuncionário da empreiteira Leão&Leão de 1999 a 2004, Buratti chegou a vice-presidente da empresa em 2002, quando teria tomado conhecimento do esquema de propina. Ele saiu da Leão& Leão após o envolvimento de seu nome no caso Waldomiro Diniz.



