Brasília (Folhapress) O ministro Antônio Palocci (Fazenda) negou ontem que tenha recebido dinheiro da empresa Leão&Leão quando era prefeito de Ribeirão Preto e acusou o Ministério Público Estadual de "indiscrição" e de desrespeitar as regras jurídicas ao divulgar informações à imprensa. Em nota distribuída por sua assessoria, de cinco pontos, o ministro diz que "nega com veemência a veracidade da informação de que recebeu recursos" da empresa, conforme disse hoje ao Ministério Público seu ex-secretário Rogério Buratti.
O texto divulgado pelo ministério informa ainda que o ministro também "nega com a mesma veemência" que seu ex-assessor Ralf Barquete recebesse recursos da empresa Leão&Leão para serem repassados ao diretório nacional PT, conforme divulgou o promotor Sebastião Sérgio de Silveira após ouvir depoimento de Rogério Buratti.
Palocci disse que recebeu contribuições da Leão&Leão e de outras empresas em sua última campanha para a Prefeitura de Ribeirão Preto de forma legal e que o dinheiro está devidamente registrado em sua prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral, em São Paulo.
No penúltimo ponto da nota, o ministro atacou o promotor que divulgou o teor do depoimento de Buratti. "A indiscrição de autoridades e o modo como foram dadas as declarações configuram total desrespeito a regras jurídicas e podem prejudicar o bom andamento das investigações."
O ministro citou a lei orgânica do Ministério Público Estadual, que obrigaria os promotores a "resguardar o sigilo do conteúdo de documentos ou informações obtidas em razão de cargo ou função".
A assessoria da Fazenda ressalta ainda que ao "ministro interessa a completa elucidação dos fatos" e diz que isso "não será alcançado com a precipitada divulgação de alegações parciais e infundadas".
O ministro Palocci passou o dia no Rio de Janeiro, onde participava de reunião do Conselho de Administração da Petrobras, e não falou com a imprensa.
A nota foi divulgada por sua assessoria em Brasília, para onde retornaria no início da noite. Ele deve passar o fim de semana na capital, onde mora desde que assumiu o Ministério da Fazenda.
Em depoimento à CPI dos Bingos, Buratti afirmou que, desde que Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, não teve mais contatos com ele. A CPI encontrou, no entanto, registros de ligações telefônicas de Buratti para a casa de Palocci em Brasília. A comissão identificou também que Buratti ligou para o celular de Juscelino Dourado, chefe de gabinete de Palocci no Ministério da Fazenda.
Segundo a assessoria do ministro, em nota divulgada na semana passada, as ligações de Buratti para a residência de Palocci "foram provavelmente tentativas de contato que não prosperaram".
O texto dizia ainda que o ministro Antônio Palocci reiterava "que seus contatos com o senhor Rogério Tadeu Buratti foram, nos últimos anos, apenas sociais e eventuais; esporádicos".



