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“ultrapresidencialismo estadual”

Alvos da Justiça, preferidos nas pesquisas

Cássio Cunha Lima (PSDB): cassado pelo TSE, ex-governador é o primeiro colocado nas pesquisas para o Senado no estado da Paraíba | Stanley Talião/Jornal Correio da Paraiba
Cássio Cunha Lima (PSDB): cassado pelo TSE, ex-governador é o primeiro colocado nas pesquisas para o Senado no estado da Paraíba (Foto: Stanley Talião/Jornal Correio da Paraiba)

O "superpoder" que José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) tinha no governo do Distrito Federal quase foi suficiente para mantê-lo no cargo, apesar de todos os vídeos que o mostravam envolvido em atos ilícitos. As imagens foram divulgadas no fim de novembro, mas os parlamentares distritais não demonstravam nenhuma intenção de cassá-lo. A situação só mudou a partir de 11 de fevereiro, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou a prisão do governador. Foi somente em 5 de março que a Câmara de Brasília deu início ao processo de impeachment de Arruda – quase quatro meses após o escândalo vir à tona.

"O apoio que Arruda tinha sempre foi muito forte. Os deputados até criaram uma CPI, mas a maioria era de aliados do governador. Depois teve até renúncia e outras manobras para atrasar as investigações. O STJ agiu, mas só porque Arruda criou embaraços à investigação", relembra o sociólogo Rudá Ricci.

Arruda não era bem cotado somente pelos parlamentares. Meses antes de ser flagrado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, Arruda era candidato à reeleição e aparecia como favorito nas pesquisas de intenção de voto. Em março de 2009, tinha 41%, segundo o Datafolha, contra 35% de Joaquim Roriz (PSC), segundo colocado. Em dezembro, já no meio do furacão, se desfiliou do DEM, o que o impede de concorrer neste ano, independentemente do impeachment.

Outros chefes do Executivo estadual que também tiveram problemas na Justiça aparecem bem colocados nas pesquisas. No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou seis pedidos de cassação de governadores: três foram absolvidos e três foram condenados. Entre os que se salvaram estão José de Anchieta Júnior (PSDB, Roraima); Waldez Góes (PDT, Amapá) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB, Santa Catarina). O primeiro foi absolvido no fim de dezembro, e não foram feitas pesquisas eleitorais para o governo de Roraima depois disso. Silveira e Góes vão concorrer ao Senado. Ambos aparecem em primeiro lugar em levantamentos feitos pelo Datafolha e o Jornal do Dia/Ecos, respectivamente.

Mesmo os condenados estão em uma situação boa. Em fevereiro de 2009, Cássio Cunha Lima (PSDB), da Paraíba, perdeu o cargo. Ele vai concorrer ao Senado neste ano, e aparece em primeiro lugar, segundo levantamento do Ibope de outubro. Jackson Lago (PDT) teve o mandato cassado há um ano, e Roseana Sarney (PMDB) assumiu o Executivo do Maranhão. Os dois devem se enfrentar na eleição deste ano. Roseana, que também pode perder o mandato por causa de uma ação no TSE, tem vantagem de 17 a 25 pontos porcentuais sobre o pedetista, segundo os institutos Sensus e Análise. Marcelo Miranda (PMDB) perdeu o governo de Tocantins. Ele aparece em primeiro lugar nas intenções de voto para o Senado, segundo o Ipespe.

Além de Roseana, há mais três na fila de julgamentos do TSE. O de Ivo Cassol (PP), governador de Rondônia, já foi iniciado, mas está suspenso. Ele também é favorito para o Senado, segundo o instituto Irpe. Outro que está no aguardo é Marcelo Déda (PT), do Sergipe, que vai tentar a reeleição e tem 44% das intenções de voto, oito pontos porcentuais acima do segundo colocado, pela instituição Padrão. O terceiro é Carlos Gaguim (PMDB), governador do Tocantins desde setembro passado. Ele é uma das exceções: aparece apenas em terceiro lugar na disputa pela reeleição, de acordo com o Ipespe.

"No Brasil, os governadores contam com uma coalizão muito forte nas assembleias e uma claque muito forte. Com isso conseguem se autopromover o suficiente para se lançar ao Senado, ou à Presidência", observa o cientista político David Fleis­­cher, da Universidade de Brasília (UnB).

No entanto, há outros fatores que contribuem para que os governadores, mesmo os que têm problemas na Justiça, sejam bem avaliados e despontem nas pesquisas de intenção de voto. "Há uma satisfação generalizada, motivada pela boa situação econômica do país. Isso já propiciou que muitos prefeitos se reelegessem em 2008", pondera o professor de Ciência Política Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná.

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