Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Vida Pública
  3. Após 15 anos, Derosso deixa o comando da Câmara de Curitiba

Legislativo Municipal

Após 15 anos, Derosso deixa o comando da Câmara de Curitiba

à perda de apoio do PSDB e dos vereadores aliados. Apenas cinco colegas de Casa não haviam assinado pedido de renúncia

  • Vinicius Boreki
Derosso (dir.) em conversa com o presidente interino da Câmara, Sabino Picolo, durante sessão em fevereiro:  de lá para cá, 11 vereadores do PSDB assinaram o pedido de renúncia do ex-comandante da Casa |
Derosso (dir.) em conversa com o presidente interino da Câmara, Sabino Picolo, durante sessão em fevereiro: de lá para cá, 11 vereadores do PSDB assinaram o pedido de renúncia do ex-comandante da Casa
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Após 15 anos, Derosso deixa o comando da Câmara de Curitiba

Depois de 15 anos no comando da Câmara de Curitiba, o vereador João Cláudio Derosso (PSDB) renunciou ontem à presidência da Casa. O anúncio ocorreu quando os vereadores discutiam quem participaria da comissão processante que analisaria o pedido de sua destituição do cargo. Uma nova eleição para escolher o presidente vai ocorrer na próxima segunda-feira.

Antes da escolha dos vereadores que fariam parte da comissão processante, o presidente em exercício da Câmara, Sabino Picolo (DEM), leu o pedido de renúncia de Derosso. Nele, o ex-presidente afirma que a saída do comando da Casa foi para preservar os vereadores e a Câmara. "Visando preservar meus pares, bem como a instituição Câmara Municipal de Curitiba de acusações negativas e inverídicas, venho pelo presente renunciar ao cargo de presidente", diz o documento.

Derosso resistia à pressão pela sua saída desde julho de 2011, quando a Gazeta do Povo mostrou denúncias de irregularidades nos contratos de publicidade da Casa. À época, sem apoio da base aliada, a oposição começou a cobrar o afastamento dele do cargo.

Após sobreviver a uma CPI e a uma investigação do Conselho de Ética da Câmara no ano passado, Derosso perdeu na última semana o apoio de 32 dos 37 colegas dele na Câmara – em grande medida devido ao temor de que a permanência do tucano no comando da Casa prejudicasse a eleição de todos e areeleição do prefeito Luciano Ducci (PSB). O grupo dos 32 assinou um requerimento para abrir uma comissão para analisar a possibilidade de destituí-lo do cargo.

Tucanos descontentes

Onze dos vereadores que assinaram o pedido de renúncia são do PSDB – o partido de Derosso. Além disso, a executiva municipal da legenda iria discutir ontem à noite a possibilidade de pedir a renúncia de Derosso do cargo (o presidente estadual do partido, Valdir Rossoni, já havia feito essa cobrança anteriormente). Sem apoio do partido, Derosso não resistiu à pressão e renunciou ao cargo.

Procurado pela reportagem, o presidente municipal do PSDB, Fernando Ghignone, disse que a decisão tomada por Derosso foi pessoal e que a executiva municipal não o influenciou a deixar a presidência.

Porém, o líder do PSDB na Câmara, Emerson Prado, disse que os debates internos na legenda persistiram após a sessão da última quarta-feira. "As conversas do partido continuaram nesse período. Tudo isso colaborou para o pedido de renúncia", afirmou.

Prado fez questão de ressaltar, no entanto, que não houve interferência do prefeito Luciano Ducci (PSB). "O prefeito não influenciou de nenhuma maneira." Antes das denúncias, Derosso era cotado para ser candidato a vice-prefeito na chapa de reeleição de Ducci na eleição de outubro.

Comemoração

Prado comemorou a saída de Derosso. "É um momento histórico. A situação chegou ao extremo e o Derosso fez uma demonstração de grandeza ao tomar essa atitude", disse ele. O vereador Paulo Frote (PSDB), porém, classificou a decisão como eleitoreira. "Como a Câmara aprovou o afastamento [por mais 90 dias, em fevereiro], não poderia pedir a renúncia. Esse posicionamento se deve à eleição."

A oposição destacou o papel da pressão da sociedade na renúncia de Derosso. "A pressão da destituição partiu da sociedade. É preciso mudar a forma de administrar a Casa", afirmou Paulo Salamuni (PV). "Havia a expectativa de que ele renunciasse. Quando a maioria dos vereadores se posiciona dessa forma, a saída é incontestável", disse Jonny Stica, líder da oposição. "Foi uma surpresa boa, mostrando quanto o Poder Legislativo está sendo alterado. O mérito é da população", afirmou Renata Bueno (PPS).

A Gazeta do Povo tentou ouvir Derosso. Mas ele não foi localizado.

Situação mudou em apenasuma semana

Rogerio Waldrigues Galindo

Embora as denúncias contra João Cláudio Derosso (PSDB) tenham vindo a público há oito meses, foi na semana passada que a situação do presidente começou a ficar insustentável. Até então, a bancada di prefeito Luciano Ducci (PSB) na Câmara vinha dando apoio quase integral a Derosso. A punição sugerida ao ex-presidente pelo Conselho de Ética da Casa foi arquivada e a CPI que investigou Derosso terminou sem recomendação de penalidades.

No fim de fevereiro, Derosso havia pedido para estender por mais 90 dias sua licença do cargo. A solicitação foi aprovada sem pronuncimentos em contrário. Mas a oposição disse que não sabia que era isso que estava sendo votado e apresentou um requerimento pedindo o afastamento definitivo do cargo e a realização da eleição de seu substituto. Até então, a adesão ao novo pedido da oposição tinha pouca adesão.

Na segunda-feira da semana passada (dia 5), a Gazeta publicou reportagem mostrando que Derosso, embora estivesse afastado oficialmente do cargo, continuava tendo poder e regalias na Câmara. A matéria revelou que ele continuava, inclusive, usando a sala da presidência.

Os vereadores da bancada situacionista passaram então a apoiar o requerimento pedindo a saída de Derosso. O documento, que tinha apoio apenas de sete vereadores, logo passou a contar mais adesões e chegou a 32 assinaturas. Sem apoio dos pares, Derosso não teve alternativa e acabou renunciando.

Interatividade

O que você achou da decisão de Derosso de renunciar à presidência da Câmara de Curitiba?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

Colaborou Chico Marés.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE