A Avenida Washington Luís, em São Paulo, tem trânsito bom no início da manhã desta segunda-feira (6), dia seguinte à demolição do prédio da TAM Express, em Congonhas, atingido por um avião da companhia no dia 17 de julho, num acidente que deixou 199 mortos. A via estava interditada no sentido Zona Sul desde o dia do acidente e foi liberada às 17h30 de domingo (5).
Com o fim das férias escolares e a via interditada, o trânsito estava complicado na região, já que a avenida é uma das mais movimentadas da cidade. Mas, por volta das 6h40 desta segunda (6), a Radial Leste era a única via congestionada na cidade, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A lentidão no sentido Centro tinha cerca de 1 km, começando no Viaduto Carlos Ferraci e indo até o Viaduto Pires do Rio.
Implosão
A Washington Luís foi liberada às 17h30 de domingo, duas horas após a implosão do galpão da TAM Express. Após a demolição, funcionários da Limpurb e da subprefeitura de Santo Amaro utilizaram caminhões-pipa para limpar a via e deixá-la pronta para o retorno do tráfego.
A implosão do galpão da TAM Express durou três segundos, pelos cálculos da Defesa Civil. Uma sirene foi acionada às 15h29 para avisar aos moradores sobre a operação. Setenta e cinco quilos de explosivos foram colocados nas colunas de sustentação do prédio. Eles foram acionados a uma distância de 150 metros por uma espécie de pistola.
A empresa responsável pelo serviço colocou as dinamites em 300 furos feitos nos pilares do prédio, mas nem todas explodiram ao mesmo tempo. As dinamites foram acionadas de cima para baixo e da esquerda para a direita, em explosões seqüenciadas.
Imprevisto
De acordo com o engenheiro que coordenou a implosão, Manoel Jorge Dias, uma parte do prédio ficou em pé. Ela teve de ser destruída com o auxílio de máquinas. Dias explicou que uma carga menor de explosivos foi colocada nos pilares desta parte do prédio por questões de segurança, já que ela fica próxima a alguns imóveis.
Outro imprevisto durante os trabalhos nos escombros da TAM Express foi a destruição de três edículas de imóveis da Rua Baronesa de Bela Vista. Segundo o engenheiro, as casas são coladas ao prédio implodido e, por isso, a queda foi inevitável. Os donos dos imóveis, segundo ele, já tinham sido avisados que isso podia acontecer.
Apesar de parte do prédio ter ficado em pé e de três edículas terem sido afetadas, a operação foi considerada "um sucesso" tanto pelo engenheiro responsável pela obra quanto pelo coordenador da Defesa Civil, Jair Paca de Lima.
O governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito da capital, Gilberto Kassab, foram ver os trabalhos de perto. "A implosão de hoje (domingo) encerra uma etapa neste processo tão doloroso. O que volta neste momento é a tristeza daquela noite. Se o inferno tiver uma imagem é a que vimos na noite do acidente", disse Serra. Para Kassab, "mais importante do que qualquer palavra é a imagem da demolição, que é uma imagem muito, muito triste".
No lugar do prédio da TAM Express deverá ser construído um memorial em homenagem às vítimas do desastre.



