Dirceu, em uma de suas mais recentes aparições públicas, em março deste ano | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Dirceu, em uma de suas mais recentes aparições públicas, em março deste ano| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi preso na manhã desta segunda-feira em Brasília, na 17 ª fase da Operação Lava-Jato. Além dele, também foram presos o irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, o ex-assessor de Dirceu, Roberto Marques, e o dono da empresa de informática Consist, Pablo Kipersmit. Outras quatro pessoas foram presas. Cerca de 200 policiais cumprem 40 mandados judiciais em Rio, Brasília e São Paulo - dos quais três são de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 26 de busca e apreensão. Foram decretadas ainda medidas de sequestro de imóveis e bloqueio de ativos financeiros. Entre os crimes investigados estão: corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O ex-ministro está sob investigação por suposto recebimento de propinas disfarçadas na forma de consultorias, por meio de sua empresa JD assessoria, já desativada. Dirceu cumpria prisão domiciliar por sua condenação no processo do mensalão.

MPF suspeita que Dirceu foi o mentor do esquema da Lava Jato

O Ministério Público Federal acredita que José Dirceu seria o mentor do esquema da Petrobras. Dirceu teria instituído o esquema quando ainda era ministro-chefe da Casa Civil do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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A Polícia Federal (PF) incluiu a JD Assessoria e Consultoria em um grupo de 31 empresas “suspeitas de promoverem operações de lavagem de dinheiro” em contratos das obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco – construção iniciada em 2007, que deveria custar R$ 4 bilhões e consumiu mais de R$ 23 bilhões da Petrobras.

Abatido, Dirceu esperava por prisão na Lava Jato

Ex-ministro perdeu peso e já demonstrava preocupação com a prisão do irmão, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva

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O documento é o primeiro de uma série de perícias técnicas da Polícia Federal que apontam um porcentual de desvios na Petrobras de até 20% do valor de contratos. O porcentual é superior aos 3% apontados até aqui nas investigações da Operação Lava Jato, que incluía apenas a propina dos agentes públicos e políticos.

“Foi identificada movimentação financeira da ordem de R$ 71,4 milhões, tendo como origem Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e como destino as seguintes empresas, suspeitas de operarem lavagem de dinheiro: Costa Global Consultoria e Participações, JD Assessoria e Consultoria; Treviso do Brasil Empreendimentos e Piemonte Empreendimentos”, registra o laudo 1342/2015 presente nos autos da Lava Jato.

Segundo investigadores, a Justiça Federal decretou prisão preventiva do ex-ministro. O advogado do ex-ministro, o criminalista Roberto Podval, confirmou na manhã desta segunda-feira a prisão de seu cliente. “Só tivemos acesso ao mandado de prisão. Ele foi preso em sua casa, em Brasília. Ainda não sabemos em que horário será levado para Curitiba”, disse Podval.

O defensor lembrou ter tentado acesso ao inquérito que investigava a participação do ex-ministro em crimes relacionados à Petrobras e a contratos com o poder público, mas o pedido foi negado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal, em Curitiba.

Pixuleco

A fase recebeu o nome de Pixuleco, termo que, segundo o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, era utilizado por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para nominar a propina. Pessoa é considerado o chefe do chamado “cartel das empreiteiras”, que teriam sido beneficiadas em contratos com a Petrobras. Pessoa fez delação premiada.

O ex-ministro José Dirceu foi preso pouco depois das 6h. Ele estava na casa onde reside com a mulher e uma filha. Dirceu já foi levado para a Superintendência da PF em Brasília e deve ser transferido para Curitiba ainda nesta segunda-feira.

Haverá uma entrevista coletiva às 10h da Força-Tarefa da Lava-Jato em Curitiba, para dar mais detalhes desta operação. “Essa fase se concentra no cumprimento de medidas cautelares em relação a pagadores e recebedores de vantagens indevidas oriundas de contratos com o Poder Público, alcançando beneficiários finais e laranjas usados nas transações”, diz a nota da PF anunciando a operação.

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