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Mensalão do DEM

Arruda inicia manobra para impedir apuração

Governador do DF exonera dois secretários, que agora voltam à Câmara Distrital para atrapalhar o andamento da CPI e dos pedidos de impeachment

Integrantes da OAB de todo o país protocolaram ontem o 11º pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal | Fábio Rogrigues Pozzebom/ABr
Integrantes da OAB de todo o país protocolaram ontem o 11º pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal (Foto: Fábio Rogrigues Pozzebom/ABr)

Brasília - O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), iniciou uma manobra para dificultar a análise dos pedidos de impeachment e a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o suposto esquema de corrupção que ele comandaria em Brasília. Arruda deve exonerar oficialmente hoje dois secretários distritais que são deputados, mas estavam licenciados. O objetivo é reforçar sua base na Câmara Legis­­­lativa, responsável pela CPI e por analisar os pedidos de impeachment.

As exonerações da secretária de Desenvolvimento Social, Eliana Pedrosa (DEM), e do secretário de Habitação, Paulo Roriz (DEM), devem ser publicadas hoje no Diário Oficial. De volta à Câmara, Eliana assume o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A CCJ é responsável por analisar os pedidos de impeachment contra Arruda. Na comissão, são necessários três votos favoráveis aos pedidos de afastamento para que os processos sejam analisados em plenário. Mas, por lá, apenas o deputado Chico Leite (PT) é da oposição a Arruda.

Já no plenário, o governador, em tese, ainda conta com a maioria. Dos 24 deputados da Câmara Distriral, oito são alvo das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Seis são considerados de oposição e independentes. Outros dez são considerados da base aliada.

OAB pede cassação

A presidente da Ordem dos Ad­­­vogados do Brasil do Distrito Fe­­­deral (OAB-DF), Estefânia Vi­­­vei­­­ros, entrou ontem, na Câmara Le­­­gislativa, com um novo pedido de impeachment do governador Arruda e do vice, Paulo Oc­­­távio (DEM).

O processo foi protocolado em nome de Estefânia para evitar que fosse arquivado sob o argumento de que não está previsto em lei que entidades e partidos políticos possam pedir afastamento de governadores.

"A OAB está cumprindo seu de­­­ver institucional, pedindo o impeachment do governador e seu vi­­­ce", disse ela, que estava acompanhada do presidente da OAB nacional, Cezar Britto, e de presidentes regionais da entidade. "Não é uma ação isolada da OAB, é uma medida da advocacia brasileira porque a sociedade precisa de uma resposta."

Até agora, já foram apresentados outros 10 pedidos de impeachment contra o governador na Câ­­­mara do DF. A Procuradoria da Ca­­­sa já rejeitou seis e acolheu dois. Os outros dois ainda serão analisados.

Arruda e Paulo Octávio, assim como outras autoridades do Distrito Federal, são acusados de participar de um esquema de pagamento de propina para a base aliada na Câmara Legislativa, por formação de caixa 2 eleitoral e fraude em licitações.

PMDB deixa governo e livra deputados flagrados

A Executiva Regional do PMDB no Distrito Federal decidiu ontem deixar o governo de José Roberto Arruda (DEM). A legenda vai entregar os cargos que ocupa na gestão, retirar o apoio político ao governo local, mas não determinou punições aos deputados distritais do partido flagrados recebendo dinheiro do suposto mensalão do DEM.

O deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF), presidente do partido no Distrito Federal, afirma que as denúncias esgotaram a possibilidade de a legenda permanecer no governo Arruda. "O PMDB foi o último partido a entrar na base. O seu afastamento tem o apoio dos seus mem­­bros. Nós determinamos de imediato o afastamento de todos os cargos do PMDB", disse.

O PMDB é o sexto partido a desembarcar do governo Arruda desde o início das denúncias. Até agora, PPS, PSDB, PSB, PDT e PV já retiraram o apoio ao governo do democrata.

Sem punição

Apesar de anunciar o rompimento com o governo Arruda, o PMDB no DF não estabeleceu punições para os deputados do partido suspeitos de envolvimento no mensalão do DEM. Filipelli disse que seria "açodado" puni-los sem a conclusão do inquérito em curso na Polícia Federal sobre o caso.

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