
Composta de nove deputados, a bancada do PMDB na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul decidiu que não assinará o requerimento para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB). Ela e integrantes do governo são acusados de desvio de dinheiro no Detran do Rio Grande do Sul, fraude em licitações, além de caixa 2 na campanha eleitoral de 2006.
O PMDB faz parte da bancada de apoio à governadora. As outras siglas governistas também fecharam contra a CPI.
O requerimento foi elaborado pelo PT. Ontem, havia apenas 10 das 19 assinaturas necessárias para instalar a comissão. Assinaram o documento nove petistas e um deputado do PCdoB.
O pedido da CPI se baseia em denúncias da existência de um caixa 2 tucano e também em supostas irregularidades em licitações de obras públicas que estão sendo investigadas pela Polícia Federal. Segundo reportagem da revista Veja desta semana, gravações revelam que Carlos Crusius marido de Yeda teria recebido R$ 400 mil em espécie, dos quais R$ 200 mil da Alliance One e outros R$ 200 mil da CTA Continental, ambas empresas de fumo, após o segundo turno da eleição de 2006.
A estratégia dos governistas para barrar o pedido foi segurar o PMDB, maior legenda da base. Três deputados que haviam sinalizado ao PT a possibilidade de assinar o pedido foram enquadrados pela maioria.
Embora ocupe secretarias e comande estatais, o PMDB já trabalha pela candidatura própria do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, para a sucessão de Yeda em 2010.
Depois da posição do PMDB, outras legendas da oposição também anunciaram que não assinariam o requerimento.
O presidente nacional do PDT, deputado Vieira da Cunha, pediu ontem à bancada estadual do partido que não assinasse o pedido. A legenda é aliada de Fogaça na prefeitura. Mas o PT do Rio Grande do Sul ainda espera obter o número mínimo de assinaturas para a CPI nos próximos dias.
Sem apoio
Yeda viajou a Brasília no fim da tarde de ontem para uma série de reuniões com integrantes da cúpula do PSDB. Antes dela chegar à cidade, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que a direção do partido não pode se responsabilizar pela defesa das denúncias contra a governadora. Guerra disse que Yeda "saberá se defender".







