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Sede da prefeitura de Curitiba: alguns dos pré-candidatos à sucessão municipal tiveram envolvimento direto ou indireto na batalha do Centro Cívico. |
Sede da prefeitura de Curitiba: alguns dos pré-candidatos à sucessão municipal tiveram envolvimento direto ou indireto na batalha do Centro Cívico.| Foto:

A repressão policial contra professores no Centro Cívico serviu como divisor de águas na disputa pela prefeitura de Curitiba, em 2016. Os efeitos da reação negativa contra o governador Beto Richa (PSDB) tendem a potencializar a pulverização das candidaturas.

4 aliados

do governador Beto Richa (PSDB) eram pré-candidatos à prefeitura de Curitiba até março. São eles: Ratinho Júnior (PSC), Fernando Francischini (SD), Luciano Ducci (PSB) e Rubens Bueno (PPS).

Na última sondagem do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada pela Gazeta do Povo no dia 11 de março, sete candidatos apareciam com chance de chegar ao segundo turno. No cenário com todos eles participando da campanha, o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Ratinho Júnior (PSC), estava em primeiro, com 26,4% das intenções de voto, seguido do prefeito Gustavo Fruet (PDT), 12,7%. Depois deles, apareciam o deputado estadual Requião Filho (PMDB), com 11%; o ex-secretário estadual de Segurança Pública Fernando Francischini (SD), com 9,2%; o deputado federal e ex-prefeito, Luciano Ducci (PSB), 8,3%; o deputado estadual Ney Leprevost (PSD), 5,6%; e o deputado federal Rubens Bueno (PPS), 5,2%. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais para mais ou menos.Veja mais detalhes sobre a última pesquisa eleitoral para a prefeitura de Curitiba

Quatro desses nomes são aliados de Richa. Ratinho Júnior e Francischini eram colegas de primeiro escalão estadual até semana passada. Assim como o governador, o ex-secretário de Segurança está ligado diretamente à batalha do Centro Cívico. Procurado para falar sobre o assunto, respondeu pela assessoria que mantinha as declarações de entrevista concedida no dia 14 de abril. Na ocasião, falou que “não estava tendo tempo de pensar em candidatura”, mas por outro lado confirmou a intenção de concorrer.Veja o que dizem os pré-candidatos sobre a batalha do Centro Cívico

Ducci era vice na chapa de Richa quando ele foi prefeito (2005-2010) e o PPS de Bueno integra o governo tucano desde o 1.º mandato. Até o dia 29 de abril, Ratinho, Francischini e Ducci travavam uma disputa velada para definir quem seria o candidato do governador. Mas a situação mudou.

Fusão PSB-PPS atinge Ducci e Rubens Bueno

A fusão entre PSB e PPS, anunciada em 30 de abril, terá efeitos nos planos dos deputados federais Luciano Ducci (PSB) e Rubens Bueno (PPS) de concorrer à prefeitura em 2016. Ambos dizem que as conversas sobre a definição do escolhido serão aprofundadas nos próximos meses, mas que seguem como pré-candidatos.

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“Apoio é importante, mas acho que já ficou muito claro que não é isso que define eleição”, diz Ratinho, que também alterou o tom sobre a possível candidatura a prefeito. “Nunca descartei a possibilidade de concorrer no ano que vem. No momento apropriado, vou fazer a minha análise.” Até agora, no entanto, ele evitava falar em 2016 e dizia estar focado em disputar o Palácio Iguaçu, em 2018.

Outro que mudou de posicionamento foi Leprevost. Aliado tradicional de Richa, ele ensaiou um afastamento a partir de dezembro, que se concretizou na votação da proposta que gerou o confronto com os professores. “Depois que fui atingido nos olhos pelo gás que foi jogado contra os professores, não teve jeito, a ruptura é total”, declara o deputado estadual. Segundo ele, não há candidato competitivo no momento que queira dividir o palanque com Richa.

O diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, endossa a tese de que, no momento, o afastamento é mais prudente que as alianças. Para ele, porém, é necessário frisar a rejeição aos petistas na cidade. “O retrato agora mostra que candidatos vinculados ao PT e ao PSDB terão muitas dificuldades, não só em Curitiba, como em qualquer cidade do Paraná”, diz.

Surpresa na pesquisa de março, Requião Filho diz que o PMDB já está inserido nesse ambiente como uma terceira via. “É muito bom para um candidato independente esse desgaste”, afirma o deputado estadual, que ganhou prestígio com os professores durante o protesto. “Não vejo hoje condições de o Beto ter um candidato, mas nada evita que ele lance laranjas.”

Procurado pela reportagem, Fruet preferiu não falar sobre o tema. O presidente do PSDB do Paraná, deputado federal Valdir Rossoni, também não quis se manifestar sobre os planos do partido para Curitiba. Rossoni disse que reviu, por ora, a ideia de se lançar como pré-candidato.

  • “O saldo do que aconteceu [no confronto entre a Polícia Militar e os professores] é ruim para todo mundo, inclusive para o governador. Mas ninguém saiu bem dessa história.” Luciano Ducci (PSB),   ex-prefeito e deputado federal.
  • “A repercussão na eleição dos problemas enfrentados pelo Beto será que dificilmente um candidato, mesmo os que antes queriam tanto o apoio dele, vai desejar tê-lo no palanque.” Ney Leprevost (PSD), deputado estadual.
  • “O governo [de Beto Richa] está muito desgastado, a imagem do governador principalmente. Foi um confronto absolutamente desproporcional do ponto de vista das forças.” Rubens Bueno (PPS), deputado federal.
  • “Eu vejo tudo que aconteceu com muita tristeza. Ninguém gosta de um confronto daquele. Como paranaense e homem público, no entanto, acho que houve distorção do projeto.” Ratinho Jr. (PSC),  secretário estadual do Desenvolvimento Urbano.
  • “O episódio do Centro Cívico é reflexo da completa falta de controle do governador. (...) Não vejo condições de o Beto ter um candidato, mas nada evita que ele lance laranjas.” Requião Filho (PMDB),   deputado estadual
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