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Eleições do PT

Berzoini volta a negar mensalão e inocenta Lula

O candidato à presidência nacional do PT pelo Campo Majoritário, Ricardo Berzoini, afirmou ontem em Curitiba desconhecer o envolvimento da direção do partido no suposto mensalão e afirmou que o presidente Lula não sabia do esquema de corrupção denunciado pelo ex-presidente nacional do PTB Roberto Jefferson. Em campanha para a eleição interna do PT, com votação marcada para o dia 18, o deputado federal e ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social esteve no Paraná defendendo a candidatura do Campo Majoritário, mas não apresentou respostas sobre as suspeitas levantadas contra o partido e parlamentares da base aliada.

Berzoini disse que não cabia a ele avaliar as principais acusações que atingem o PT, como o pagamento de mesada a deputados aliados e a existência de um caixa 2 na campanha presidencial.

A investigação, segundo o candidato, já está sendo feita por três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Congresso Nacional, pelo Conselho de Ética e Ministério Público. O candidato levantou dúvidas sobre a veracidade das denúncias envolvendo o partido. "A tese do mensalão é muito questionável. Depois de três meses temos 19 deputados que receberam recursos esporádicos relativos à campanha", disse. Para Berzoini, o deputado Roberto Jefferson "tentou criar uma história muito mais picante" do que as acusações sobre seu envolvimento em irregularidades nos Correios.

A crise do partido, segundo o ex-ministro, não pode ser atribuída ao Campo Majoritário, como prega a ala mais à esquerda do PT. O problema não resulta da política de alianças com partidos de direita, mas decorre de erros técnicos graves como o do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que abriu espaço para o publicitário Marcos Valério terceirizar a tesouraria do partido. "Foi uma ação desastrada e precipitada de pessoas responsáveis pela parte financeira da campanha", disse, se referindo às denúncias de gastos não declarados à Justiça Eleitoral.

A CPI está investigando a origem dos recursos que abasteceram o PT e outros partidos aliados. A suspeita é de que são provenientes de esquemas com bancos, corretoras e fundos de pensão, além de desvios de recursos de estatais.

Inocente

Ricardo Berzoini isentou de qualquer responsabilidade o presidente da República, afirmando que Lula não tinha conhecimento do dinheiro ilegal nem do suposto mensalão porque era uma ação partidária. Segundo ele, Lula tem tido uma ação responsável e até o ex-presidente nacional do PT José Genoíno disse desconhecer a ação do tesoureiro Delúbio Soares. "É possível pessoas tomarem decisões de campanha sem o candidato ter conhecimento", argumentou.

Uma das propostas de campanha do candidato é criar mecanismos de transparência interna para evitar situações em que os filiados não sejam informados sobre as principais decisões partidárias. "Se tivéssemos adotado essa prática, os fóruns do partido não aprovariam as operações de crédito com bancos de operação duvidosa", disse. O Banco Rural e o BMG fizeram empréstimos a Marcos Valério de Souza.

Berzoini disse que a direção nacional não vai pagar as dívidas informais feitas por Delúbio Soares. O valor total chega a R$ 56 milhões. Além de negociar o pagamento com fornecedores e devedores, o partido pretende iniciar uma campanha junto a filiados, com mandato ou não, para juntar dinheiro para quitar os débitos comprovados através de contratos.

Durante sua visita à capital, Berzoini cumpriu agenda ao lado do presidente estadual do PT, André Vargas, que está em campanha pela reeleição. Em seus discursos, assegurou ainda que o partido vai enfrentar com "dignidade" o momento político e mostrar que sabe "cortar na carne" se for comprovado o envolvimento de petistas.

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