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Arma francesa| Foto:
  • Cronologia: Desde 1994 o governo planejar comprar novos caças

Brasília - Acabou o suspense que durou um ano e quatro meses: o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem, aproveitando a visita ao Brasil do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que decidiu negociar com a Dassault a compra de 36 caças franceses Rafale. Até o início da noite os outros dois con­­­cor­­­rentes do projeto de reequipamento da Força Aérea Brasileira, a Boeing (EUA) e a Saab (Suécia), não haviam se manifestado sobre a decisão brasileira.

O anúncio sobre os caças ocorre no mesmo dia da divulgação de um amplo acordo militar entre os dois países – o principal firmado pelo governo desde a Segunda Guerra Mundial. Por meio desse acordo, o Bra­­­sil comprará helicópteros, submarinos convencionais e a tecnologia para desenvolver um modelo de propulsão nuclear. Com os caças, deve ser adicionada uma fatura de R$ 10 bilhões ao acordo, que previa gastos de até R$ 27,5 bilhões gastos pelo Brasil ao longo de 20 anos.

Ao justificar os gastos militares, Lula falou na necessidade de de­­­­fender a Amazônia e o pré-sal. "De­­­ve sempre passar pela nossa ca­­beça a ideia que o pré-sal (o petróleo) já foi mo­­­­tivo de muitas guerras e conflitos, e não queremos guerra."

Em um comunicado de apenas três parágrafos, o governo Lula revelou que a decisão de abrir a negociação com a França deveu-se em grande parte ao compromisso assumido por Sarkozy de comprar "uma dezena de unidades da futura aeronave de transporte militar KC-390", avião que está sendo desenvolvido pela Embraer. Convidado de honra do desfile de Sete de Setembro, Sarkozy comemorou. "O Rafale será desenvolvido em comum acordo com nossos amigos brasileiros. Trata-se de uma escolha extremamente precisa e importante. (...) Com­­­par­­­ti­­­lhar tecnologia não nos dá medo. O tempo da colonização já acabou." O comunicado pegou de surpresa a diplomacia americana, que esperava uma decisão apenas no fim de outubro, como anunciara o Ministério da Defesa.

Angra 3

A declaração conjunta dos dois países revela ainda a decisão de Sarkozy e de Lula em "encorajar" duas iniciativas na área nu­­­­clear. A primeira é a negociação em andamento entre o grupo fran­­­cês Areva e a Eletronuclear so­­­bre a retomada das obras de Angra 3 e a cooperação para a pros­­­­­pecção de urânio. A segunda iniciativa é a aproximação entre todas as companhias brasileiras e francesas do setor, de olho na cons­­­trução das novas usinas termonucleares. Nos planos do go­­­verno, deverão ser instaladas até 25 unidades nos próximos 24 anos.

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