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Denúncia

Brasil convoca embaixador dos EUA para esclarecer espionagem

Thomas Shannon se reuniu no Itamaraty com o ministro de Relações Exteirores, Luiz Alberto Figueiredo, por cerca de meia hora na manhã desta segunda-feira

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de monitoramento dos Estados Unidos de telefonemas, e-mails e mensagens de celular da presidente Dilma Rousseff e de "assessores chaves". Ele se reuniu no Itamaraty com o ministro de Relações Exteirores, Luiz Alberto Figueiredo, por cerca de meia hora na manhã desta segunda-feira. Ao sair não falou com a imprensa.

Figueiredo e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, concederam uma coletiva de imprensa para tratar das novas denúncias. A coletiva ocorreu no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. A informação é da assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, que afirmou que os dois devem falar sobre "a interceptação de dados eletrônicos".

As informações foram reveladas ontem pelo "Fantástico", que teve acesso a uma apresentação feita dentro da própria Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA - sigla em inglês) , em junho de 2012, em caráter confidencial. O documento é mais um dos que foram repassados ao jornalista britânico Glenn Greenwald por Edward Snowden, técnico que trabalhou na agência e hoje está asilado na Rússia.

Hoje mais cedo, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião no Palácio do Planalto, para tratar do tema. Estiveram reunidos com Dilma os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo; da Defesa, Celso Amorim; da Secretaria-Geral da Presidência de República, Gilberto Carvalho; e das Comunicações, Paulo Bernardo. O ministro de Relações Exteirores, Luiz Alberto Figueiredo, também foi ao Palácio do Planalto, depois de se reunir com Shannon.

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) considerou a espionagem "um absurdo completo". Segundo ele, "não tem nada a ver com segurança nacional [dos EUA]. Isso é arapongagem para obter vantagem nas negociações comerciais e industriais", afirmou o ministro.

Dilma foi espionada pelos Estado Unidos, diz Fantástico

Os documentos secretos que basearam as denúncias foram obtidos pelo jornalista Glenn Greenwald com o ex-técnico da NSA Edward Snowden. Eles faziam parte de uma apresentação interna para funcionários da agência.

De acordo com o programa, foi monitorada a comunicação entre Dilma e seus assessores, assim como dos assessores entre eles e com terceiros. Também Enrique Peña Nieto, atual presidente mexicano (então líder na campanha presidencial), teria sido espionado.

O documento obtido pelo "Fantástico" mostra que a NSA utilizou programas capazes de capturar inclusive o conteúdo de e-mails.

No caso de Dilma, o objetivo da operação seria o de "melhorar a compreensão dos métodos de comunicação e dos interlocutores da presidente e seus principais assessores".

Os documentos obtidos pelo "Fantástico" mostram uma suposta rede de comunicação de Dilma com assessores, sem nomes legíveis. No caso de Peña Nieto, são apresentados trechos de mensagens trocadas pelo então candidato.

Não foram exibidos exemplos de conteúdo interceptado na comunicação de Dilma.

Na última página da apresentação, segundo a reportagem, está a conclusão de que o método de espionagem usado pela NSA é "uma filtragem simples e eficiente que permite obter dados que não estão disponíveis de outra forma e que pode ser repetida".

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