O sistema federativo brasileiro garante a manutenção dos superpoderes dos governadores. Mas essa influência pode ser minimizada com mudanças no calendário eleitoral e no sistema de votação dos parlamentares.
De acordo com o pesquisador Luiz Fernando Abrucio, a eleição casada de presidente, governos estaduais e do Congresso é um fator que contribui para o poder exagerado dos governadores. "A eleição proporcional com a lista aberta e a grande magnitude dos distritos aumentam a vulnerabilidade dos deputados em relação aos governadores. O atual sistema eleitoral acirra a competição entre os candidatos do próprio partido", escreveu Abrucio sobre o tema no artigo O Ultrapresidencialismo Estadual.
Na opinião do sociólogo Rudá Ricci, a realização de eleições a cada dois anos também é um problema do sistema político brasileiro. "No primeiro ano de governo estadual, a gestão é prejudicada, pois há um Orçamento aprovado pelo governo anterior e uma certa inexperiência. No segundo ano, quando começam a governar de fato, há eleições para prefeitos, ou vice-versa." Esse ciclo deixa o eleitor em uma situação de marginalidade do processo político, avalia o sociólogo. A cada dois anos, o grupo político que está no poder em uma esfera vai "cobrar a fatura" pela ajuda dada anteriormente.
"Quem legitima de fato o Executivo no Brasil é o outro chefe de Executivo eleito dois anos depois". Para mudar isso, Ricci sugere um "recall" dos governadores no meio do mandato, semelhante ao que existe em algumas regiões dos Estados Unidos. A convocação poderia ser feita com a assinatura de pelo menos 10% dos eleitores de determinado local. "Aí equilibra o jogo. Porque agora, uma vez eleito, o governador só precisa se preocupar com bancadas e acordos. Com o Arruda, no Distrito Federal, vimos que esses acordos podem ser os mais heterodoxos."(RF)



