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Legislativo

Câmara não cobra vereador sobre prisão

Conselho de Ética ouve versão de Denilson Pires sobre denúncias sem conhecer com detalhes acusações que pesam contra ele

Denilson Pires: vereador desiste de reeleição. | Anderson Tozato / CMC
Denilson Pires: vereador desiste de reeleição. (Foto: Anderson Tozato / CMC)

Sem ter conhecimento prévio do conteúdo das denúncias que pe­­­sam contra Denilson Pires (DEM), o Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba ouviu o vereador ontem sem cobrar maiores explicações sobre os fatos que o levaram à prisão. Segundo os vereadores, a audiência serviu para que eles entendessem as denúncias contra o colega. Apenas um dos cinco integrantes do conselho, a vereadora Professora Josete (PT), fez perguntas mais incisivas.

O vereador é acusado pelo Ministério Público de participar de desvios de verbas no Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curi­­tiba (Sindimoc), do qual é presidente. Junto com ele, mais três pessoas ligadas ao sindicato foram presas no 31 dia de agosto. Denilson Pires garante que é inocente.

O vereador protocolou um do­­­cumento com o histórico de sua administração no Sindimoc e com dados que, segundo ele, contêm esclarecimentos sobre os episódios que motivaram sua prisão. O vereador acusou Ânderson Teixeira, seu opositor no sindicato (ver box), de caluniá-lo ao Ministério Públi­­­co. "Não cometi nenhuma irregularidade. Abro as contas do sindicato e as minhas pessoais para comprovar. A oposição, sentindo que não ganharia no voto, mentiu para tentar conturbar a eleição", afirmou.

O vereador insinuou que Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, pode ter sido pressionado para realizar, às vésperas da eleição do sindicato no próximo dia 30, a operação que o prendeu. "Deve ter dedo de gente de Brasília, para criar um factoide político e tumultuar a eleição", disse Pires.

A menção a uma suposta pressão federal motivou pedido de esclarecimento da vereadora Josete. Pires reafirmou o caráter político das denúncias."Só acho estranho que, sem prova nenhuma, a minha prisão tenha ocorrido nesta data", respondeu Pires.

Segundo o coordenador do Gaeco, procurador Leonir Batisti, a insinuação é uma "pretensão fantasiosa". "O Ministério Público nem sequer sabia a data da eleição do sindicato. O Gaeco não pauta sua atuação por nenhuma outra conveniência que não o cumprimento da lei", afirmou.Professora Josete fez também indagações ao colega a respeito de aspectos materiais do crime, como a apreensão de dinheiro na sede do Sindimoc. Pires respondeu que o dinheiro apreendido (cerca de R$ 120 mil) era destinado ao pagamento de colaboradores que preferem receber em espécie. "O dinheiro estava na tesouraria, não estava no banheiro ou embaixo da cama. Temos os comprovantes de todas as movimentações financeiras", garantiu.

De acordo com o vereador Roberto Hinça (PDT), presidente do Conselho de Ética da Câmara, a intenção da reunião preliminar era apenas ouvir a versão de Pires, poi, ainda não foi registrada oficialmente nenhuma representação ou denúncia formal contra o presidente do Sindimoc.

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