PT orientava empresas a fechar negócios com  Assad, que repassava verba para o PT, segundo a delação. | Brunno Covello/Gazeta do Povo/Arquivo
PT orientava empresas a fechar negócios com Assad, que repassava verba para o PT, segundo a delação.| Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo/Arquivo

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, detalhou em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que uma das maiores operações de “caixa 2” da campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff em 2010 ocorreu por meio do empresário Adir Assad. O executivo foi condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa em obras da Petrobras em setembro do ano passado e cumpre prisão domiciliar.

De acordo com Delcídio, o então tesoureiro de campanha de Dilma e ex-secretário de Saúde da prefeitura de São Paulo, José Filippi Júnior, orientava os empresários a fazerem contratos de serviços com as empresas de Assad, que repassava os recursos para o PT. “Esse expediente foi largamente utilizado”, afirmou o delator.

CPI dos Bingos

Segundo o senador petista, a CPI dos Bingos teve um encerramento prematuro e sem relatório final porque o governo teria percebido que as várias quebras de sigilo no esquema levariam à campanha eleitoral de Dilma. Por isso, teria determinado o fim imediato dos trabalhos.

Para Delcídio, o objetivo da CPI era desestabilizar o ex-senador e atual governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira. “A CPI dos Bingos foi fortemente e irresponsavelmente incentivada pelo ex-presidente Lula a despeito de todos os alertas que fiz a ele próprio”, concluiu o delator.

Delcídio deixou a prisão em 19 de fevereiro, após ter ficado quase três meses na cadeia acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, homologou nesta terça-feira, 15, a delação premiada do senador e abriu o sigilo dos autos.

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