Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Imposto do cheque

CCJ do Senado não cede a pressão para reduzir prazos da CPMF

Presidente da Comissão afirma que senadores têm "direito" de discutir a proposta. Relatora já tem argumento para recomendar rejeição da CPMF

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Marco Maciel (DEM-PE), anunciou nesta terça-feira (23) que seguirá à risca, apesar dos apelos do governo, o prazo regimental de tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe a prorrogação da CPMF até 2011.

Isto significa, segundo ele, que a matéria só saíra da comissão no dia 9 de novembro e, ainda assim, pode ter um adiamento do encaminhamento da matéria ao plenário. Segundo o cronograma de Maciel, o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) será apresentado no dia 30 de outubro e haveria outros 10 dias para a votação.

De acordo com o cronograma apresentado pelo senador, o prazo de votação pode ser estendido para facilitar a realização de audiências públicas. "Eu penso que há tendência de encontrar fórmulas para trazer pessoas para discutir. No meu entender, abre-se espaço para novas audiências públicas", advertiu o presidente da CCJ.

O governo corre contra o tempo para aprovar a CPMF antes do final do ano. Se a votação ultrapassar o dia 31 de dezembro, a Receita deve esperar por 90 dias para retomar a cobrança do tributo e o Ministério da Fazenda calcula que pode perder até R$ 15 bilhões. "Esse não é um problema meu", destacou o senador do Democratas.

Fogo amigo

O próprio presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), admitiu nesta terça-feira que o governo demora muito para iniciar a negociação com os partidos de oposição para votar a prorrogação do imposto do cheque. "Se os ministros não correrem para o Senado, têm que saber que o governo aqui não tem mais do que 43 dos 49 votos necessários para aprovação da CPMF", avalia.

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúne na próxima quinta-feira (25) com a cúpula do PSDB para negociar a CPMF. Atua em três frentes: a redução gradual da alíquota, hoje fixada em 0,38%, a isenção da cobrança para a parcela da população que movimenta por mês menos de R$1.700,00 e desonerações tributárias pontuais. Seria a redução da carga tributária para investimentos privados e na folha de pagamento.

Tucanos

Como o Democratas, do presidente da CCJ e da relatora na comissão, já fechou questão contra a CPMF, resta para o governo negociar com o PSDB. Os tucanos admitem negociar a matéria, desde que também entre no debate uma redução gradual dos gastos públicos. O partido, que tem 13 senadores, decidiu aguardar por mais 15 dias uma manifestação formal do governo sobre as contrapartidas para aprovar a CPMF, antes de decidir como será o voto da bancada em plenário. "Os senadores querem votar contra. Está todo mundo sentido na pele o governo do PT. Eles não apresentam nada. É só espuma", disse o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).

A relatora, Kátia Abreu, já disse quais serão os fundamentos para defender a rejeição da prorrogação da cobrança do imposto do cheque. "Vamos nos embasar na tese de que aumenta a arrecadação e aumentam os gastos públicos em relação ao PIB. Será um relatório técnico, com o comprometimento político", antecipa.

Ainda de acordo com a relatora, o governo teve, neste ano, um acréscimo de 9,2% nos gastos públicos. Enquanto isso, a receita aumentou 13% e a economia do país cresceu 4,5%.

Regimento

De acordo com o calendário da CCJ, a matéria, depois que for levada ao plenário, pode retornar à CCJ, caso sejam apresentadas emendas de plenário. A alternativa regimental do governo para encurtar prazos seria aprovar um requerimento na CCJ para encerrar a discussão.

Desta forma, a matéria sairia da comissão nos primeiros dias de novembro. A base aliada, no entanto, enfrenta dificuldades, inclusive, para ter maioria entre os 23 integrantes da comissão de justiça da Casa.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.