Após depor ao juiz Sergio Moro, Claudia Cruz visitou o marido, que está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Após depor ao juiz Sergio Moro, Claudia Cruz visitou o marido, que está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

A jornalista Cláudia Cruz disse, em depoimento prestado na tarde desta quarta-feira (16), na 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, que sempre confiou plenamente no marido, o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB). Ela acrescentou que só soube que seu cartão de crédito internacional estava vinculado a uma conta no exterior, quando os valores foram bloqueados em decorrência da Operação Lava Jato. Cláudia Cruz é ré em uma ação penal, em que é acusada de movimentar mais de US$ 1 milhão no exterior, que, segundo a investigação, teriam sido provenientes de propinas recebidas por Cunha.

Confira as frases do depoimento da jornalista

Veja o que deve ter “arregalado” os olhos de Cláudia Cruz

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Ao longo de seu depoimento – que durou pouco mais de oito minutos e meio – Cláudia Cruz respondeu apenas a perguntas de seus advogados. Ela disse tinha o cartão internacional para custear gastos de seus filhos, que estudavam no exterior. A jornalista acrescentou que assinou “vários papéis” a pedido de Cunha, mas que nunca desconfiou ou soube que o cartão estava atrelado a uma conta bancária internacional.

“Se eram de um cartão, se eram de uma conta, eu não sei”, disse. “Não [perguntei], porque eu confio e sempre confiei, confio plenamente nele [em Cunha]”, completou.

Cláudia Cruz afirmou ainda que toda a “gestão financeira” de seu patrimônio era feita por Cunha e que nunca teve nenhum motivo para desconfiar do marido. A jornalista garantiu que nunca teve intenção de dissimular gastos no exterior e que “não fazia ideia” de quanto dinheiro havia na conta bloqueada pela Justiça.

“Vida muito próspera”

A ré alegou não ter motivos para desconfiar de onde vinha o dinheiro com o qual Cunha pagava as faturas do cartão internacional, porque o casal sempre teve uma “vida muito próspera”. A jornalista ressaltou ainda que, desde que se casou com o ex-deputado, não houve alteração no padrão de vida.

“O padrão se manteve exatamente o mesmo. A gente sempre teve uma vida muito próspera”, definiu. “Já conheci o meu marido com ele me contando e eu sabendo que ele atuava em comércio exterior, em bolsa de valores, que ele tinha patrimônio no mercado imobiliário”, exemplificou.

Cláudia Cruz apontou que Cunha sempre dizia que seus bens eram provenientes de fontes lícitas e contou que o ex-deputado chegava a se irritar quando via matérias jornalísticas sobre as investigações que levantavam suspeitas sobre a origem de seu dinheiro.

“Quando essas matérias saíam, o Eduardo [Cunha] ficava muito bravo. Socava a mesa. E eu, idem. Nesses momentos, ele sempre repetia: ‘o meu dinheiro é lícito’”, declarou.

Visita a Cunha

Após ser ouvida pelo juiz Sergio Moro, a jornalista deixou o prédio da Justiça Federal de carro, sem falar com a imprensa. Cláudia Cruz seguiu para a sede da Polícia Federal (PF), no bairro Santa Cândida, onde Eduardo Cunha está preso. A jornalista fez uma rápida visita ao marido e, mais uma vez, saiu sem atender os repórteres.

O advogado de Cláudia, Pier Paolo Bottino, disse que a ré não respondeu a questões do juiz Sergio Moro e de membros do Ministério Público Federal (MFP), porque as perguntas formuladas pela defesa já “foram suficientes para esclarecimentos dos fatos”.

“Ela deixou muito claro que o marido tinha um patrimônio anterior, quando ele a conheceu. Ele já tinha um patrimônio acumulado, já tinha um padrão de vida e este padrão de vida nunca foi alterado. Ela deixou isso muito claro. Ela não tinha motivos para desconfiar da licitude dos bens que o marido dela já tinha anteriormente”, apontou.

As frases do depoimento de Cláudia Cruz

“[Eu soube que o cartão estava vinculado a uma conta] quando o assunto veio à tona e o cartão foi bloqueado, em 2015”

“Os meus filhos estudavam fora. Isso [o cartão] era para custear os gastos dos estudos e de consumo”

“Assinei vários papeis. Se eram de um cartão, se eram de uma conta, eu não sei”

“Não [perguntei do que se tratava], porque eu confio e sempre confiei, confio plenamente nele [em Cunha]”

“Já conheci meu marido com ele me contando e eu sabendo que ele atuava em comercio exterior, em bolsa de valores, que ele tinha patrimônio no mercado imobiliário”

“O padrão se manteve exatamente o mesmo. A gente sempre teve uma vida muito próspera”

“Quando essas matérias saiam, o Eduardo ficava muito bravo. Socava a mesa. E eu idem. Nesses momentos, ele sempre repetia: ‘O meu dinheiro é lícito’”

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